18 de abril de 2024
Vinhos

Descomplicando a nossa relação com o vinho

As novas gerações, denominadas “do milênio” e “z”, não bebem vinho regularmente por acharem que é uma bebida muito formal, complicada. Preferem usá-lo para uma celebração especial, optando por caras garrafas. Com isto, o mercado dos vinhos do dia a dia está perdendo força.

Desde sua origem, o vinho nunca foi uma bebida, digamos, difícil. Talvez cercada de algumas lendas e mistérios. Para dar uma boa embasada neste raciocínio, vamos lembrar que as primeiras vinificações ocorreram milênios atrás, na era que chamamos de “antes de Cristo”. Muito depois, coube a Igreja associar a cor da nossa bebida ao sangue de Cristo, tornando-a muito simbólica e, quem sabe, iniciando uma era de (desnecessárias) complicações.

À medida que o mundo foi se civilizando, que vem de “civil”, só para lembrar, em cada lugar onde vinhos eram produzidos começam a surgir normas, regulamentos, impedimentos, taxas e, no limite, proibições.

Somos os culpados! Para agravar, nem todo Enófilo tem um tempo disponível para pesquisar este desenrolar histórico e achar brechas que, pelo menos, tornem o ato de comprar e degustar um vinho em algo agradável e fácil de desfrutar.

A atitude mais comum é nos apegarmos a algumas certezas e não nos afastarmos destes portos seguros sob nenhuma hipótese: compramos sempre o mesmo vinho, no mesmo local. Nada pode mudar e acreditamos que o risco de dar errado é grande.

Monótono e restritivo. Ficamos presos a um círculo vicioso.

O mercado de vinhos é muito dinâmico. Por exemplo, aquele “grande vinho” de alguns anos atrás, hoje, por razões mercadológicas, passou a ser o menos importante da vinícola. Acreditem, é mais comum do que se possa imaginar.

A nossa primeira dica para desenrolar este novelo é muito simples: façam amizade com as pessoas que lhes vendem suas garrafas. Eles sempre serão a melhor forma de obter informações detalhadas sobre o que vale a pena ou não. E não fiquem com uma só, escolham mais fornecedores e cultivem este tipo de conversa.

A segunda se resume em uma palavrinha: experimentem!

Já existe uma boa oferta de bares de vinho no nosso país, além da opção de vinho em taça nos bons restaurantes (embora o preço nem sempre seja competitivo). Esta sugestão vale para tipos de vinhos, castas, regiões produtoras, taças e até inusitadas formas de harmonizar vinho e comida.

Se Malbec argentino é o foco, experimentem as versões chilenas, francesas e americanas. Se a preferência recai sobre “vinhos argentinos”, está na hora de fugir do Malbec e partir para Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon ou a exótica Criolla Chica (País, Mission) a casta vinífera mais antiga do continente. Claro, incluam alguns brancos. Um belo Chardonnay do país vizinho entrou na lista dos Top 10 do mundo na sua categoria.

Há muito o que descobrir. Ficar sentado olhando para os rótulos de sempre não ajuda em nada.

A última sugestão é fazer uma extravagância de vez em quando. As opções são muitas começando com um belo espumante a troca de nada. Se for um Champagne é ainda melhor. Simplesmente abram e desfrutem, não precisa de uma desculpa. Garantimos que vão descobrir novos prazeres.

Outra bela extravagância é visitar uma vinícola. No Brasil elas já existem “de norte a sul”, a grande maioria delas com belos programas turísticos que passeiam desde pequenas degustações guiadas, passam por oficinas de degustação ou de elaboração de cortes de vinhos até elaboradas refeições harmonizadas, com direito a aulinhas com Chefs e Sommeliers.

Se o bolso permitir, vá para um grande país produtor e tomem um banho de cultura vínica. Argentina, Chile e Uruguai dão show neste setor. Na Europa, Portugal e Espanha estão acima da média principalmente pela proximidade dos idiomas. Mas não podemos deixar de lado Itália e França. Aprender e se divertir.

O vinho nunca mais será o mesmo, literalmente.

Saúde e bons vinhos!

CRÉDITOS:

Foto por Pixabay.

Tuty

Engenheiro, Sommelier, Barista e Queijeiro. Atualiza seus conhecimentos nos principais polos produtores do mundo. Organiza cursos, oficinas, palestras, cartas de vinho além de almoços ou jantares harmonizados.

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Engenheiro, Sommelier, Barista e Queijeiro. Atualiza seus conhecimentos nos principais polos produtores do mundo. Organiza cursos, oficinas, palestras, cartas de vinho além de almoços ou jantares harmonizados.

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