
Vinhos com nomes de santo são um dos grandes tabus entre os apaixonados por esta bebida. Tudo por conta de algumas vinificações de baixa qualidade e fartamente distribuídas no nosso país.
A ideia de “santificar” estes questionáveis rótulos, vinda da cabeça de um marqueteiro muito esperto, tem origem em alguns grandes vinhos, acreditem.
Entre eles está o famoso Petrus, um clássico de Bordeaux. Para quem não se lembra, o nome é uma referência direta a São Pedro.
Menos conhecido, mas uma joia que ninguém discute, é o Santa Margherita, um Pinot Grigio da região do Alto Adige, no norte da Itália. Uma unanimidade, apesar do cáustico comentário de Nelson Rodrigues: “toda unanimidade é burra”.
Neste caso, este, considerado o melhor Pinot Grigio, se torna a exceção, inclusive no que diz respeito ao uso do “Santa”.
Esta vinícola produz vinhos leves, muito aromáticos e cheios de personalidade. Apresentam coloração amarelo-palha, bem clara, límpida, com pronunciadas notas de maçã Golden. Podem ser degustados em voos solos ou acompanhados de peixes e outros frutos do mar, massas, risotos ou carnes brancas.
Recentemente, descobrimos mais uma qualidade deste precioso vinho: pode “salvar” vidas!
Usando nomes fictícios, deliciem-se com este curioso acontecimento:
Julia é uma das mais assíduas colaboradoras desta coluna. Recentemente, precisou acompanhar sua irmã, Gabriela, que passou por uma delicada cirurgia, cuja recuperação foi mais extensa do que se imaginava.
Hospedada num hotel anexo ao hospital e apreciadora de bons vinhos, Julia nos solicitou ajuda para escolher algumas opções na carta de vinhos do restaurante, para aliviar as tensões durante o longo período pós-operatório.
Encabeçando a lista dos brancos, estava o Santa Margherita, que indicamos sem pestanejar. A sugestão foi aceita e o vinho agradou totalmente.
Na viagem de retorno, Gabriela ainda convalescia, embora a cirurgia tenha sido um absoluto sucesso. Seu desânimo era evidente e contagiava a todos que a acompanhavam.
Julia, numa tentativa de animar a irmã, ainda tinha um pouco do “Santa” e ofereceu-lhe uma provinha. Foi o que bastou para mudar o quadro.
Gabriela nos relatou, pessoalmente: “Aquele golinho me salvou”!
Vamos ter que repensar este tabu.
Saúde!
CRÉDITOS: foto obtida no site da vinícola Santa Margherita.

