Sem celular nem Internet

Depois que passamos de determinada idade embora eu não saiba qual seja, normalmente ficamos mais exigentes e, talvez por isso mesmo, menos disponíveis. Menos disponíveis para nos envolver profundamente, para gostar muito, para novidades, para…
Sei lá para o quê mais, já que não atingi essa idade: acho que as pessoas, de modo geral, valem a pena, sempre têm alguma coisa a oferecer, a trocar, de um endereço de um bom sapateiro, a uma receita simples e incrivelmente boa, ou uma dica completamente banal, mas que é útil à beça.
E podem também ser divertidas, bom papo, contar histórias de infância ou florear um fato corriqueiro de suas vidas, desanuviando o ambiente, nos fazendo rir, o que é sempre relaxante e, por isso mesmo, saudável!
Na semana passada, fui à feira, esporte ao qual me dedico por não mais de meia hora por sábado, em busca de verduras fresquinhas, bananas pequenas e bem doces, e de um “mecânico de panelas” que, em pouco tempo, com uma marreta de borracha maciça, faz com que elas voltem a se equilibrar sobre o fogão!

Converso com todo mundo, pergunto por quem não veio, vejo se tem mexerica do Rio e feijão roxinho… Quem se lembra de feijão roxinho? Só quem já tem alguma idade, tem que ter nascido lá pela metade do século passado e, então, vai saber que é o típico feijão de São Paulo, que do antigo mantém apenas a cor, já que o sabor não é mais o mesmo…
Aproveitei e dei uma dica para um rapaz que estava na mesma barraca que eu, comprando bananas: o feirante lhe oferece duas dúzias e ele diz que “é muito, acaba estragando”. E eu, de bicuda: “pegue duas, corte no meio, no sentido do comprimento, e deixe um minuto no forno de micro-ondas.
Vai sair uma sobremesa maravilhosa!” E o rapaz me agradece todo feliz: “Nossa! Eu nunca eu tinha ouvido isso!”
Quando volto para casa com minhas verduras, percebo que deixei a internet e o celular de lado, dei um mergulho no tempo e, por essa curta meia hora, cheguei àquela idade a que me referi no início desta crônica…

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