A privacidade e o wanna cry


Quando se fala em privacidade, fico me perguntando se quem está falando tem idade suficiente para saber do que está falando…
Hoje, nem ao banheiro você vai sem celular! Ninguém mais senta no trono sem a telinha na frente dos olhos… Talvez, nesta circunstância, a gente escolha um tema mais light, assim se evita prisão de ventre; ou, alguma “pesquisa” ou site em que não gostaríamos de ser acompanhados por ninguém…
O interessante é notar que hoje nada acontece sem que alguém tenha testemunhado o que se fez e, muitas vezes, somos nós mesmos que facilitamos essa “intrusão”, sendo apenas…ingênuos!
Nunca foi tão fácil invadir a vida de outrem, quer seja no celular, no computador, ou até mesmo dentro de casa! O tempo todo recebemos e-mails provocativos, eventualmente mentirosos e ai de nós se ficarmos curiosos, indignados, ou se nos deixarmos provocar ou atrair por algum assunto interessante, uma oferta tentadora de algo que pareça passível de ser verdade…
Franqueamos todos os minutos de nossa vida não só aos amigos, mas aos conhecidos, aos desconhecidos, aos bem e aos mal intencionados…
Colocamos fotos detalhando onde estamos ou estivemos, com quem e fazendo o quê, sem pensar sequer por um instante que, talvez, num futuro próximo, poderemos lamentar ter escancarado nossa vida bebendo um pouco a mais, fazendo algum comentário desairoso ou usando um decote que mostrou além do necessário…
Mas, sem conseguir fugir ao que, no ser humano, é irrefreável como sempre foi; as pessoas procuram grupos em que tenham coisas em comum, para se filiar, sejam elas o amor por batatas fritas em detrimento às batatas cozidas, ou o fato de termos mais uma tatuagem ou ainda, um piercing em algum local inconfessável, como divulgou uma pseudo modelo, “estrela” platinada de formas arredondadas…
Mas sobra também a alternativa de “seguir” um que dite “tendências”, ainda que por duas horas… E quanto mais eles tiverem seguidores, mais poderosos e “por dentro” nos sentiremos por fazermos parte do séquito!…
E, então, chegou o Wanna Cry, vírus que “pegou” desprevenido um bando de gente…Pois é, mas não devia estar; vocês terão notado como eu que, se não deletarmos um endereço em nossa quarentena, ele irá triplicar sua aparição ali. Se procurarmos alguma coisa na Internet, aquele maldito anúncio, de um sal de fruta a uma cadeira, de um rímel a um cachorro, vai aparecer piscando, mudando de cor, em letras maiores e menores, no meio de artigos que você estiver lendo ou de pesquisas que estiver fazendo!
Ninguém pode imaginar, nem no melhor dos mundos, que saiba o que é privacidade. E não será necessário abrir algum e-mail suspeito: tudo sobre seus interesses e sua vida estará franqueado ao mundo, você será descoberto como o título daquele filme: “Eu sei o que vocês fizeram não sei quando”. Mais fácil do que um “livro aberto”…

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