29 de maio de 2022
Sylvia Belinky

Posicionamentos

Vivemos tempos estranhos, em que, mesmo não tendo conhecimento profundo (às vezes, sequer raso!) a respeito de coisa alguma, ainda assim, somos cobrados a ter um posicionamento sobre todos os assuntos: dos mísseis enviados por Donald Trump – e sobre Trump , e sobre Assad, e sobre o ataque feito por negros a uma moça branca que ousou usar um turbante na rua – a moça cobria uma cabeça careca por quimioterapia. Apropriação cultural, segundo os que se sentiram prejudicados…

E sobre o ex-presidente Lula que, se ainda estiver solto no ano que vem, está bem cotado para ocupar novamente a presidência do país: a população entendeu que o correto é permanecer ignorante, afinal, “O que não sei, não me prejudica”… O ex-presidente levou ao paroxismo a ignorância, propagando-a aos quatro ventos como uma bênção: boa parte da população já se posicionou,  seguindo seu exemplo.
E é preciso um posicionamento em relação ao torcedor – que foi morto porque torcia para o time errado…

E quanto à atitude da empresa aérea que removeu, como lixo não reciclável, arrastando pelo corredor um passageiro de sua aeronave – afinal, eles precisavam do assento e ele não quis levantar por bem daquele pelo qual havia pago… Mais ainda, e quanto ao grande ator que passou a mão na “genitália” da figurinista: afinal, nem todas podem se vangloriar de terem sido apalpadas por ele…
Os exemplos não terminam e todos são negativos; uma rádio em São Paulo seleciona, no final da tarde, uma notícia boa e a anuncia com veemência e tendo a acreditar que terá sido necessário garimpar para encontrá-la. E é possível que quem leia o que escrevo aqui também me cobre um posicionamento porque eu só os citei, não me comprometi!

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

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