21 de abril de 2024
Colunistas Sylvia Belinky

Somos todos iguais… será?

Quando defendi um colega no colégio de Estado em que estudava, há mais de meio século, pude dizer que queria saber se ele seria expulso da escola por ser judeu e, ao vociferar do diretor, pude responder que também era judia; então, queria saber!

Mas, não pude me levantar e dizer a mesma coisa quando esse mesmo diretor disse para meu colega negro que calasse a boca ou ia ser expulso e a arbitrariedade era igual, senão ainda maior…

Não consigo assistir uma paraolimpíada sem me sentir desconfortável, ou ver a abertura do Fantástico com dançarinos amputados ou ainda, ver pessoas com vitiligo posando de modelos…

Por que tenho dificuldade de encarar a tentativa de inclusão dessas pessoas? Por que não tenho uma opinião formada sobre a inclusão de pessoas com limitações intelectuais nas escolas de currículo normal?…

Esses vídeos tiveram o condão de colocar tudo e todos no mesmo plano, por serem todos seres humanos, por terem todos as nossas mesmas necessidades e ainda mais dificuldades que a gente para serem “inseridos” ou encarados como iguais.

Sei perfeitamente que a essência está naquilo que nos torna iguais: respirar, comer, dormir e não no supérfluo, como a cor da pele, a religião, ou nossa identidade sexual.

Numa foto, não saberei sua religião, a menos que você se tenha paramentado como um representante dela; da mesma forma, não saberei se você é gay e a importância de sabê-lo é nenhuma. Portanto, deveria ser nenhuma se você tem vitiligo, se é negro ou se é amputado ou tem síndrome de Down ou é autista.

A vida não é um “mar de rosas” para nenhum de nós e eu diria que é ainda mais complicada para aqueles com alguma deficiência ou diferença que o torne minoria de algum modo!

Fazendo parte de um povo que foi quase sempre mal visto e segregado, o povo judeu, isso de algum jeito deveria ser mais fácil para mim, partindo do pressuposto que não devo fazer ao próximo o que não quero que façam comigo, mas caramba!

Como ser “politicamente correto” de modo sincero e honesto é complicado!

Devo ser honesta e dizer que não tenho o ser humano em alta conta e acho que a aprendizagem entre nós se dá de forma excessivamente lenta. Muito sabiamente se diz que “pimenta nos olhos dos outros é colírio” e precisamos viver na pele o preconceito, a discriminação, para entendê-la!

 É mais forte do que nós, mas precisamos nos comparar sempre com alguém que julgamos inferior de modo que nossas parcas qualidades sobressaiam…

Hoje, 27 de janeiro, Dia Mundial em Memória das Vítimas do Holocausto, não pude deixar de pensar que acho que esses judeus que passaram pelos campos de concentração de fato aprenderam muita coisa. Já nós, seus descendentes… tenho sérias dúvidas disso: somos todos iguais sim, mas… tem sempre aqueles que sentem que são mais iguais do que os outros, infelizmente!

Sylvia Marcia Belinky

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

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