18 de abril de 2024
Editorial

As primeiras caneladas

A viagem de Lula à Argentina foi, na verdade, uma retribuição, já que o Presidente Alberto Fernández o visitou quando ainda estava preso e condenado em Curitiba, por uma dezena de juízes, inclusive do STF, por corrupção e lavagem de dinheiro, antes de ser descondenado pelo STF.

Na primeira viagem de Lula, constava, em sua agenda, um encontro com Maduro, presidente da Venezuela, que não ocorreu porque Maduro não pode sair de seu país sob pena de ser preso pela Interpol. O motivo divulgado foi “que as agendas não se encaixaram”… Vale lembrar que as eleições “democráticas” na Venezuela onde, provavelmente, constam só dois quadradinhos; um dizendo: “Eu quero que Maduro fique” e o outro diz: “Não quero que Maduro saia”. Esta é uma velha brincadeira que nosso saudoso Stanislaw Ponte Preta – o inesquecível Sérgio Porto – fazia nos tempo de ditadura paraguaia, mas que serve perfeitamente ao atual momento venezuelano e cubano.

Mas Lula disse que precisamos tratar bem os companheiros da Venezuela e de Cuba, tão isolados pelo capitalismo. Ora, Companheiros ou Presidentes?

Lula se referiu a Fernández como “companheiro”, e não como “Presidente” como rege o protocolo. Um Presidente se refere a seu par como “Presidente”… Companheiro é aquele que luta no dia a dia pela ideologia em seu país ou em seu partido. Falta de respeito e quebra de protocolo. Não pegou bem.

Lula disse ainda que “precisamos respeitar o modo de vida política de cada país, sem ingerência externa”. Sim, concordo, mas logo a seguir ele diz: “se os cubanos querem viver como vivem, o problema é deles. Se não querem viver como americanos ou brasileiros, o problema é deles, ninguém tem nada com isso”. Entretanto Lula se esqueceu de dizer que: “… aqueles cubanos que quiserem viver como brasileiros ou americanos, lá, vão para a cadeia”. A diferença é pequena, mas é um detalhe altamente relevante.

Lula ainda falou sobre o SUR, uma possível moeda única para o Mercosul, imediatamente reprovada por todos os nossos economistas, inclusive os de esquerda. É impossível uma moeda única entre países com tanta disparidade econômica. Mesmo que fosse apenas entre o Brasil e Argentina, como se poderia comparar duas economias tão díspares? Aqui temos uma inflação de cerca de 9% a.a., ainda alta, mas produto dos dois anos de pandemia e uma guerra, mas em recuperação. Por lá, uma inflação de 90% a.a.. Não sou economista, mas não vejo como se encaixar. Mais um factoide.

O ex-todo-poderoso e agora desautorizado, ministro Haddad, sobre a declaração de Lula com relação à criação da moeda única do Mercosul respondeu a um repórter, grosseiramente, mandando o repórter se informar, negando o assunto. Foi outro tiro no pé! Como se defender do inexplicável? Acho que o novo Ministro da Fazenda deve conversar mais com seu presidente.

Sobre o Imposto de Renda, o desautorizado Ministro Haddad disse que a tabela de deduções não é atualizada há muito tempo, jogando, diretamente, toda a culpa nos dois mandatos de Lula e nos quase dois de Dilma. A atual tabela foi atualizada no segundo mandato de Dilma, interrompido pelo impeachment. Outro tiro no pé!

Do jeito que está proposto, quem ganhar um salário mínimo e meio passará a pagar IR, recebendo líquido, menos do que o proposto por Bolsonaro no orçamento para 2023. Isso está incomodando o governo que, não quer perder arrecadação, mas também não quer tributar os pequenos e sim os ricos, mas acontece que são os ricos que garantem empregos e renda aos “pequenos”, logo não devem ser tributados, na visão deles.

Mas então como resolver? Não podemos cobrar dos pobres. Não devemos cobrar dos ricos. Então como ficamos? Fácil, cobramos de quem está no meio dos dois, ou seja da CLASSE MÉDIA, que corresponde mais ou menos a 60% dos contribuintes que pagam IR. Fácil, não? A classe média garante!

Outra fala perigosa de Lula foi com relação ao gasoduto Argentina-Brasil. Nós também precisamos de gasodutos por aqui. Vamos levar outro cano como tomamos da Venezuela com empréstimos feitos pelos governos do PT, e não pagos? Temos dinheiro sobrando para isso? E a estatização da Petrobras na Bolívia? Vamos, de novo, emprestar dinheiro para os “companheiros” com direito à calote?

É óbvio que este é mais um episódio da saga “encher os cofres do PT” com o dízimo dos companheiros. Agora ele quer que o BNDES financie obras fora do país, em países de companheiros. Será uma fonte de renda para as propinas das empreiteiras e, por tabela, compra de votos no Congresso. Já vimos este filme este filme na Bolívia e vimos no que deu. Estatização da Petrobras naquele país, com perda de todos os investimentos feitos…

Mas ele disse que precisamos tratar bem os companheiros da Venezuela e de Cuba, tão isolados pelo capitalismo. Companheiros ou Presidentes? Tadinhos!!!

Por que o atual estatuto do BNDES permite ao banco financiar projetos fora do país? BNDES significa: BANCO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO SOCIAL. Pelo seu nome, acho que fica claro que seu objeto principal é o fomento de projetos NO PAÍS!

Onde, em seu estatuto, está a permissão para financiar projetos em outros países?

Será mais do mesmo?

Valter Bernat

Advogado, analista de TI e editor do site.

Advogado, analista de TI e editor do site.

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