4 de julho de 2022
Colunistas Sylvia Belinky

Premonição e atraso de vida ou (porque não falo de Lula e Bolsonaro)

Quem quer que tenha lido minhas duas crônicas anteriores – sim, porque a história que contei era tão longa que tive que dividir em duas crônicas, já que tenho que levar em consideração que não sou nenhum Fernando Gabeira, que consegue nos envolver por parágrafos sem fim – viu que abordei os temas de racismo e antissemitismo. Isso apesar de estar falando de uma CADEIRA DE BALANÇO…

E parece que fiz isso PREMONITORIAMENTE, porque foi anterior a essa celeuma que aconteceu durante essa semana que passou e que levantou “as arquibancadas”. Esse tal de Monark saiu em defesa de um partido nazista e nada me tira da cabeça que foi apenas para “causar”, ou ter seus 15 minutos de glória.

Bom, para azar dele, funcionou ao revés (latu sensu) e ele terá que se explicar perante a lei, além de ter perdido patrocínios, etc. Como eu costumo dizer, hoje não se faz NADA impunemente: alguém vê e fotografa ou filma se for malfeito ou sacanagem, alguém grava (no caso dessa anta paramécia), e se escreve, alguém lê e contesta.

Trocando em miúdos: não tem escapatória possível; uma das (poucas, do meu modesto ponto de vista) vantagens da modernidade, que é o resultado de “zero” privacidade – algo que, como todos que nasceram na era “pós celular” não tiveram e nem têm ideia do que seja – nem de suas vantagens (sim, tinha várias).

Voltando à vaca fria (expressão que delata minha idade, meus provectos 73 anos), ou voltando a falar de racismo e antissemitismo, notem que minha história se deu nos idos de 1965, ou seja, 57 anos atrás!! Para impressionar um pouco mais: há mais de meio século!

Qual o significado disso? Que nesse tempo todo só aconteceu essa besta falando asneiras? Que só a carreira do sr. Adão foi abortada por um cretino como o diretor da Escola Estadual Fernão Dias Pais?

Certamente, não. Como eu disse na crônica anterior, ele nem sequer estudava lá onde “o judeu” e “o negão” assinalados pelo diretor – e que ficaram de boca fechada, diga-se de passagem – como ficou o próprio sr. Adão. Quem “botou a boca no trombone” foi uma judia riquinha e cheia de verdade, que tinha as costas quentes e sabia disso – eu!

Meu filho, ao ouvir essa história lamentou que poucos se levantam em causa própria e foi exatamente isso que eu disse a ele: poucos teriam essa coragem porque eram a parte fraca e a corda, como se sabe, sempre arrebenta do lado mais fraco.

O que eu quero colocar é que essa gente CONTINUA SENDO A PARTE FRACA. Mas está tentando bravamente se amotinar, virar o jogo.

Os negros têm que contar com uma criatura audaciosa na vida, a Luísa Trajano, que colocou uma lista de empregos de gerência só para negros para as suas lojas e teve que encarar críticas de um bando sem noção…

Os judeus têm mais sorte: são brancos, normalmente instruídos e conseguem atingir cargos de relevância (no tempo do meu “affair”, o secretário de Educação do Estado de São Paulo o era).

Energúmenos, como esse nojento BRUNO AIUB vulgo “Monark” ou coisa que o valha, têm que morrer com a boca cheia de formiga, amargar uma cana ou perder um montão de dinheiro para aprender a manter a boca fechada se for para atacar o próximo.

Para uma criatura dessa laia, não existe “liberdade de expressão” porque ele confunde liberdade de expressão com incitação à violência, porque é ignorante, néscio, não sabe do que está falando.

A falta de cultura, que já grassa entre essas criaturas, só vai piorar se não nos mexermos, se não tratarmos de educar nossas crianças e, no mínimo, ensinarmos a elas que todos somos iguais, ainda que alguns tentem ser mais iguais que os outros e torçam o nariz para essa assertiva…

Finalmente, preciso explicar o porquê de eu não falar de Lula e Bolsonaro: simplesmente porque não vale a pena, com eles nenhuma melhora é possível…

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

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