Sobre o segundo turno

Eleição é uma só

Urna (Adriano Machado/Reuters)

Desencavei do fundo do baú artigo que publiquei no Correio Braziliense em 7 de outubro de 2002 sobre a lenda de que o segundo turno é necessariamente uma nova eleição que zera a primeira. Republico do jeito que saiu na época.
“Impossível, não é. De tanto repetirem, jornalistas, políticos e analistas apressados passaram a acreditar na história de que segundo turno é uma nova eleição. E que por isso o jogo zera e o candidato menos votado no primeiro turno pode derrotar o mais votado. Poder derrotar, claro que pode. Mas o retrospecto das eleições entre nós, desde que o segundo turno foi instituído pela Constituição de 1988, mostra que foram poucos os casos de viradas no segundo turno.
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Quem é mais votado no primeiro costuma ser mais votado no segundo. Fernando Collor ganhou o primeiro turno da eleição presidencial de 1989 com 30,5% dos votos válidos contra 17,2% obtidos por Lula. No segundo turno ele teve 53% dos votos. Fernando Henrique não precisou de segundo turno para derrotar Lula em 1994 e em 1998.
Em 1990, as eleições para o governo de 15 dos 27 Estados foram decididas no segundo turno. E somente em cinco delas (Maranhão, Paraíba, Paraná, São Paulo e Rondônia) os candidatos mais votados no primeiro turno acabaram derrotados no segundo. O mesmo placar se repetiu quatro anos depois: as eleições para governador em 15 Estados foram decididas no segundo turno. E em cinco delas houve viradas (Distrito Federal, Minas Gerais, Pará, Piauí e Santa Catarina). Aqui, Cristovam Buarque venceu Valmir Campelo.
Caiu para 13 o número de Estados que em 1998 definiram a eleição para governador somente no segundo turno. E de novo em cinco deles (Mato Grosso do Sul, Piauí, Rio Grande do Sul e Distrito Federal) os vencedores do primeiro turno foram derrotados.
A escrita não foi diferente nas eleições municipais. Vejamos os resultados das eleições para prefeito nas 225 cidades com mais de 100 mil habitantes em 1996 e em 2000. Não consegui os números relativos às eleições municipais de 1992. O Tribunal Superior Eleitoral não os tem.
Em 1996, 31 das 225 cidades elegeram seus prefeitos no segundo turno. E 24 delas confirmaram o resultado do primeiro. Em 2000, de novo 31 das 225 cidades escolheram seus prefeitos no segundo turno. E 26 delas repetiram no segundo o resultado do primeiro turno. De 1990 para cá, somente um candidato a governador teve no segundo turno menos votos do que teve no primeiro. Foi João Castelo, candidato em 1990 a governador do Maranhão. Ele teve no primeiro turno 595.392 votos. E no segundo, 594.620.
Para virar o jogo e derrotar Lula no segundo turno, José Serra terá que atrair a esmagadora maioria dos votos conferidos a Garotinho e Ciro Gomes. Apesar de Ciro apoiar Lula e de Garotinho já ter declarado que em hipótese alguma apoiará Serra.
A tarefa de Serra é impossível? Não. O sociólogo Marcos Coimbra, presidente do instituto de pesquisas Vox Populi, preferiu ontem à noite taxar a tarefa de apenas quase impossível. Mas o aparentemente impossível às vezes ocorre. Quanto mais o quase impossível.”
A eleição de 2018 não tem paralelo no mundo. O candidato do PT está preso e seu representante circula pelo país há menos de 30 dias.
O candidato que lidera as pesquisas é incapaz de falar com o mínimo de conhecimento sobre sobre qualquer um dos problemas que aflige o país.
É por isso que até depois de amanhã tudo pode acontecer – inclusive nada. Por nada, entenda-se a vitória do campeão de rejeição.
Fonte: Blog do Noblat

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