Encrenca à vista: Bolsonaro x Papa

Sínodo da Amazônia

O papa Francisco, vestindo presentes, parte depois de um encontro com representantes das comunidades indígenas da bacia amazônica
do Peru, Brasil e Bolívia, na cidade peruana de Puerto Maldonado, em 19 de janeiro de 2018. (Cris BOURONCLE / AFP/VEJA)

A insanidade do presidente Jair Bolsonaro não chegará ao ponto de ele admitir que o autoproclamado filósofo Olavo de Carvalho foi quem melhor definiu o Papa Francisco, pelo menos para seu gosto.
Olavo escreveu no Twitter há poucos dias:
“Para mim, esse Bergoglio já deu no saco. Ele não é Papa nem no sentido figurado do termo”.
Jorge Mario Bergoglio, nascido em Buenos Aires há 82 anos, é o 266º Papa da Igreja Católica. Eleito em março de 2013, é também o primeiro pontífice não europeu em mais de 1.200 anos.
Em outubro de 2017, quando Bolsonaro cogitava ser candidato a presidente só para ajudar a carreira política dos filhos, Francisco anunciou que dali a dois anos instalaria o Sínodo da Amazônia.
É o que fará a partir deste domingo. Até o final do mês, em Roma, cerca de 280 cardeais, arcebispos, bispos, padres e religiosos discutirão os principais problemas da Amazônia. E logo quando…
Logo quando a preservação da Amazônia está no radar do planeta. E por aqui temos um presidente que não liga para isso, que só pensa em explorar os minérios da região. (Olha o nióbio aí, gente!)
O governo brasileiro quis enviar um representante ao Sínodo. A Igreja descartou. Sínodo é um encontro convocado pelo Papa. Ali só há lugar para religiosos e convidados, governos, não.
O que se ouvirá em Roma nas próximas semanas desagradará profundamente Bolsonaro e a sua turma. É por isso que ele não irá à canonização da Irmã Dulce dos Pobres, a primeira santa brasileira.
A cerimônia está marcada para o domingo dia 13 durante missa a ser celebrada na Praça de São Pedro, no Vaticano, pelo próprio Papa. O vice Hamilton Mourão chefiará a comitiva brasileira.
Francisco tem mais com o que se preocupar. Como fora, também dentro da Igreja há extremistas de direita. Não chegar a dizer que a Terra é plana, mas duvidam que ela corra riscos.
Voltam-se de preferência para Deus e esquecem seus filhos. São contra a ordenação de homens casados, ideia de Francisco para a evangelização de áreas pouco povoadas e carentes de padres.
É o caso da Amazônia.
Fonte: Blog do Noblat

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