A demonização do jornalismo

Caricaturas de Trump

Octávio Guedes e Eduardo Gussen (Octávio Guedes/Reprodução)

A Rede Globo de Televisão já foi acusada por seus desafetos de fazer muitas coisas, mas de fazer jornalismo foi a primeira vez.
Flávio Bolsonaro, em entrevista ao SBT, mostrou fotos do jornalista Octávio Guedes, da GloboNews, em um restaurante do Rio na companhia do Procurador Geral da Justiça Eduardo Gussen.
Em um restaurante, come-se, bebe-se e conversa-se. É o que os dois pareciam fazer. Jornalista conversa com bandidos e autoridades à caça de informações. É o seu dever, e também o seu ofício.
O que pretendeu Flávio com a exibição das fotos? Sugerir que o procurador vazou para o jornalista informações sobre seus rolos com Queiroz, policiais condecorados e milicianos presos ou fugitivos.
Como ainda não se inventou fotografia com som, as de Guedes com Gussen só provam que eles foram vistos à mesma mesa em um restaurante.
Guedes diz que Gussen não lhe deu nenhuma informação sigilosa. Flávio não tem simplesmente como provar o contrário. Noves fora, nada, portanto.
Na contramão dos militares que os cercam, os Bolsonaros tentam por todos os meios demonizar o jornalismo que não controlam – sim, porque parte dele já está no bolso.
Para eles, liberdade de imprensa só a favor. São órfãos da censura que no passado recente marcou a ferro e fogo a história do país. Se pudessem, a restabeleceriam.
Como não podem, imaginam que pela intimidação sufocarão seus críticos. Copiam os métodos do presidente americano Donald Trump, seu ídolo. Mas não passam de uma caricatura malfeita dele.

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