Crônica de um desastre anunciado

Vitória com gosto de derrota

Bezerra Coelho (Marcos Oliveira/Agência Senado)

Bastavam 49 votos de um total possível de 80 (o presidente do Senado só vota em caso de empate) para que a reforma da Previdência fosse aprovada pelo Senado em primeiro turno.
Mas o líder do governo, senador Fernando Bezerra Coelho (PMDB-PE), apostava que ela seria aprovada com 61 a 63 votos. E mesmo quando o placar registrou 56 votos a favor, ele dobrou a aposta.
Se dependesse de Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente do Senado, a sessão só seria retomada hoje com a votação dos artigos destacados pela oposição. Teria sido mais seguro.
Mas Bezerra Coelho insistiu em votar os destaques de imediato. Votou o primeiro e ganhou – o destaque foi derrubado. Por um problema de redação, os dois seguintes ficaram para depois.
Então foi posto em votação o quarto destaque – o artigo que criava regras mais duras para o pagamento do abono salarial a trabalhadores de baixa renda com carteira assinada.
Aconteceu o que até a oposição duvidava que fosse possível: faltaram seis votos ao governo para manter o artigo. Alguns senadores já tinham ido embora. O quórum baixara.
“Eu avisei a ele para não votar o destaque, eu avisei” – comentou, aflito, um assessor de Bezerra Coelho antes de aconselhar o senador a propor o encerramento da sessão.
O desastre previsto pelo assessor reduzirá a economia com a reforma da Previdência em R$ 76,4 bilhões em 10 anos. Agora será de R$ 800,3 bilhões – se nada mais for mudado no texto original.
Fonte: Blog do Noblat

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