12 de agosto de 2022
Colunistas Ricardo Noblat

Apoio do PT a Rossi vira a página do impeachment de Dilma

A vitória do pragmatismo político

Foi mais do que um indigesto sapo barbudo o que o PT teve que engolir para finalmente anunciar seu apoio a Baleia Rossi, candidato a suceder Rodrigo Maia (DEM-RJ) na presidência da Câmara dos Deputados a partir de 1º de fevereiro próximo.

Rossi é do MDB de Michel Temer, três vezes presidente da Câmara, o vice que substituiu Dilma Rousseff na presidência da República. O PT chama até hoje de golpe o impeachment que abreviou o mandato de Dilma.

Golpe ou não, o MDB com Temer à frente conspirou para o desfecho melancólico do período de 13 anos e meio de PT no poder federal. O placar apertado a favor do apoio a Rossi deu a medida exata da dificuldade que teve o PT para degluti-lo.

Mas a diferença de apenas três votos em um total de 54 não significa que a banda derrotada poderá trair o acordo firmado. Além de ser um partido disciplinado, o PT não quer ser acusado de ter rompido a frente de esquerda que apoia Rossi.

Ficaria mal na foto. De resto, abriria mão do cargo que Rossi lhe prometeu na direção da Câmara caso ele seja eleito – a primeira vice-presidência ou a Secretaria-Geral. A unidade dos partidos de esquerda será importante para as eleições do ano que vem.

Foi principalmente com isso em vista, mas também porque nada lucraria com uma eventual eleição de Arthur Lira (PP-AL), o candidato de Jair Bolsonaro a presidente da Câmara, que o PT resolveu enterrar o passado. Pragmatismo puro e na hora certa.
Fonte: Blog do Noblat – Facebook
Jornalista, atualmente colunista de O Globo e do Estadão.

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