Lembranças do Recife 1

Fazia tempo que eu não gargalhava tanto. Carol, minha amiga e irmã de coração, tem essa qualidade. Me faz voltar a um mundo colorido contanto suas historias sempre muito divertidas.

Carol é pernambucana nascida em Recife, uma pessoa que conhece o mundo. Uma mulher maravilhosa, mãe de 3 filhos e avó de 4 netos. Foi casada e se separou quando os filhos já estavam crescidos. Sempre elegante, moderna, descolada, faz ginástica todos os dias. Chega tão cedo na Academia que assim que o porteiro abre a porta ela começa arrumar a sala colocando os colchonetes no lugar.

Ela não para. Só quando reza o terço, duas vezes ao dia ou quando está na missa das 17h. Vive criando novidades e se recriando. Já foi decoradora de casas lindas de Recife, Londres e Zermatt, teve uma empresa de comidas congeladas e hoje é sócia com sua filha Maria, da marca Doce Magia, onde desenvolve produtos para bebês e crianças. A loja virtual com peças lindíssimas e bomba de tanto vender.

Hoje conversando no celular, comentamos sobre o Coronavírus. Me disse que na semana passada morreram pessoas da família ou muito próximas e queridas. As missas virtuais foram todas esta semana e com hora marcada. Uma das missas foi ontem e um pouco antes do padre começar a rezar, chegaram as compras do supermercado. Correu para higienizar tudo bem depressa e para ouvir a missa em homenagem a pessoa querida.

Colocou o celular na pia e chorava pelo ente querido ouvindo e participando da missa enquanto lavava embalagens de batata frita, de café, legumes, frutas, etc.

Chorava de tristeza e um pouco de raiva – quem diria que um dia a gente lavaria ate embalagens de guardanapos? Carpideira virtual? Rsrsrs

Carol tem uma fé incrível e nos contagia. E isso não faz dela uma carola com o terço na mão, ao contrario é uma amiga real, divertida e verdadeira. Foram muitas as vezes em que ela conversou comigo, me acalmou e me animou com poucas, mas verdadeiras palavras de Fé e de ânimo e esperança.

Depois de nossa conversa me lembrei de umas férias que passei na sua casa – em frente ao mar em Candeias, no dia 1 de janeiro. Feriado! E janeiro prometia dias lindos com sol, mar e muita brisa.

Naquela época a sua casa tinha vários empregados e um deles se chamava Assis, uma simpatia de pessoa. Ele era o faz-tudo da casa. Motorista, vigia, fazia móveis de madeira maravilhosos que decoravam o jardim da sua casa. Carol dava o modelo e supervisionava Assis, um excelente marceneiro.

Um belo dia Assis pede demissão para ela. Estava muito triste, mas queria trabalhar por conta própria. Queria ganhar dinheiro e abrir uma Funerária. Carol aceitou e na mesma hora virou sua sócia na Funerária, para não perder Assis de vista. Os primeiros caixões que Assis produziu foi Carol que servia de molde.

Dizia a ele dentro do protótipo – ‘ Assis, alarga um pouco nos ombros! Faça mais comprido até os pés.’

E assim os caixões foram criados, lindos e confortáveis rsrs. E Assis ia dando certo e a Funerária progredindo.

Chegou o dia que ia chegar em Recife. Carol não pode ir me buscar no Aeroporto mas pediu para Assis ir me buscar. Eu já estava saindo do desembarque quando ele me viu, acenou e começamos a conversar.

Falei para ele – E aí Assis! Feliz Ano Novo! Como está indo a funerária?

Ele me olhou com uma cara de boi com tristeza e disse:

– Dona Priscila, esse fim de ano foi muito fraco. Ninguém morreu nessa passagem do ano. Fiz plantão na porta do hospital mas nada…

E eu me divertia do jeito simplório dele ser. Uma figura!

Assis pediu licença e foi buscar o carro no estacionamento do Aeroporto para me levar para a casa de Carol. E aí tive a maior surpresa! Assis veio me buscar com o carro da Funerária diretamente do plantão nos hospitais onde ninguém morreu!

Eu quase morri… De tanto rir!!

Já pensou se fosse hoje com tantas mortes pelo Covid 19? Ele estaria com uma casa em Bali e um chalé nos Alpes suíços!

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