13 de junho de 2024
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Vida de gado, povo marcado


Uma amiga, a quem não vou nominar porque não pedi autorização, 66 anos, foi a um hospital solicitar autorização para tomar a vacina contra febre amarela. Recebeu um atestado de aptidão.
No primeiro posto, negaram a ela a vacina porque o atestado não especificava a “febre amarela”. A sujeita, que tem uma noção de cidadania acima da média, voltou pacientemente ao hospital e pediu ao médico revisão no atestado e foi a outro posto.
Mas por que você tomar a vacina se aqui não é área de risco? perguntou o médico. Educadamente, ela explicou que a menos de 10 km, noutro município, havia morrido uma pessoa, e a um pouco mais do que isso, outra pessoa. E finalizou dizendo que queria se prevenir, se cuidar, enfim. Um direito inalienável, sobretudo num país livre, hipoteticamente democrático etc e tal.
Ainda assim, o médico negou, alegando que ela poderia ser alérgica a ovo. Ainda assim, ela contou que come ovo cozido, frito, em omelete etc. Ainda assim o canalha negou e disse que não poderia acreditar na paciente e só concederia mediante exame. “Pois não, o senhor pode fazer o pedido?”.
Já não basta o que o governo tem feito nessa área. Não mantém planejamento, não aumenta os investimentos, pesquisas e produção da vacina. Tem também alguns canalhas como esse médico que, como o governo, decidem quem vai e quem fica. Usou um tempo precioso que tinha para cuidar de pessoas para contestar um pedido legítimo, de forma canalha, imperial e desleal.
O resumo da história só mostra que o gado brasileiro recebe infinitamente mais cuidados do que os seres humanos que tiveram a infelicidade de nascer nessa bosta. É preciso lembrar que, assim como o gado, nós, humanos, também geramos receita ($$$). Receita essa que mantém essa malta de ladrões e exploradores onde estão.
Edição 1: como sei que ela vai ler, estou publicamente me colocando à disposição para “assoprar” para a imprensa local e geral toda a situação, e aí sim, expor publicamente nome, CRM e hospital onde está lotado esse animal diplomado.

O Boletim

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