Se corrermos…

Gostaria de escrever sobre a situação brasileira, mas confesso que não sei. Os jornais portugueses noticiam o hospício com a discrição possível. Se eu, que sou brasileira, não consigo decifrar o saco de gatos em que se transformou o meu país, imagina quem não nasceu/cresceu na pátria amada.
Meu Facebook também não é conselheiro esclarecedor. Felizmente, tenho amigos de várias tendências políticas. Cada um diz uma coisa, as versões se chocam, se estranham, se anulam. Os jornais online são editados em Plutão, consultá-los ou não é indiferente. Neles descubro apenas que a cantora Anitta é feminista, mas nem tanto, e que a nova novela das nove explora o batido tema do morto que nunca morreu.

Sendo assim, não darei nenhuma opinião a respeito da greve dos caminhoneiros. Não acho nada da confusão. Bem, até acho, mas sem muita certeza. Sei que não gosto do Temer, nunca votei nele, jamais votaria ou votarei. Michel Temer, quem diria, não entendeu o que aconteceu à antecessora. Tomou o lugar dela e deu continuidade à mesma política de conchavos e troca de favores, com muita grana rolando nos bastidores.
Sei que assistir o ministro Carlos Marun na tevê é, no mínimo, constrangedor. Sei que fiquei com raiva ao ouvir o presidente reclamando que os hospitais pararam de funcionar por falta de insumos. Como se o SUS realmente funcionasse e nunca tivesse acontecido de pessoas agonizarem jogadas no chão ou morrerem por falta de uma reles aspirina.
Sei que os caminhoneiros, sendo a greve patronal ou não, deram uma sacudida no gigante adormecido, até então incapaz de reagir. Também sei que o movimento deles escapou ao controle quando as ratazanas de sempre tentaram se aproveitar. É isso mesmo? Não sei. Mas sei que, se o ilibado senador Renan Calheiros se declarou a favor da greve, eu sou rigorosamente contra.
Sei que sobre a minha cabeça paira a ameaça de Rodrigo Maia na presidência da república – nós estamos purgando algum carma bíblico, não é possível. Sei que se corrermos o bicho pegará, se ficarmos o bicho comerá. Por último, só sei que nada sei.
Que Deus tenha piedade de nós, até porque mais greves pipocam no horizonte.

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