Quadragésimo segundo movimento

Tenho evitado dar palpites na conjuntura nacional. Descobri que me estresso e de nada adianta. Sai semana, entra semana, os escândalos se sucedem e tudo permanece exatamente da mesma maneira: o povo reclamando, os políticos roubando, a justiça injustiçando, os bandidos bandidando. Ninguém faz nada, ninguém fará. Ou seja, danem-se todos. Eu, inclusive. Portanto, enquanto durar o baile, vou tratar de me divertir. Depois, seja o que Deus quiser.
Todo este papo desesperançado é porque, com o episódio do William Waack – flagrado em off, em momento politicamente incorreto -, dei-me conta de que o Brasil é habitado por dois tipos de gente: os racistas, nazistas, hidrófobos-demoníacos, grupo ao qual pertenço, e os anjos e arcanjos que nunca, jamais, em toda as suas vidas, tiveram um pensamento errado, dizerem uma palavrinha ofensiva, reagiram irritados a um momento mais complicadinho. Para estes seres santificados, Haendel compôs O Messias. A gente não nota – só aos iniciados nas benesses celestiais tal milagre é permitido – mas este povo só se movimenta ao som do quadragésimo segundo movimento do citado oratório, o badaladíssimo Aleluia. Trilha sonora abençoada para tipos ídem. O céu é mesmo lindo.

William Waack falou uma frase infeliz. Mas, numa boa, quem nunca falou? Todo mundo diz, ou já disse, exatamente a mesma coisa com pequenas variações. É coisa de gay ((Pedro Bial, ao vivo), de mulher, de loura, de nordestino, de judeu, de muçulmano, de velho, etc e tal. Os preconceitos vicejam, basta escolher um e pronto, estamos aptos a dizer, de boca para fora, alguma tolice. Muitas vezes cometi tal pecado – no trânsito, então, Deus me perdoe. Mas os anjos e os arcanjos jamais murmuraram um dito malsão. Por isto podem trucidar os impuros, os que não controlam os pensamentos e as línguas.
Um escândalo hipócrita e ridículo o que estão fazendo com o William Waack, a quem desejo muito sucesso em outra emissora e, se possível, que ganhe sozinho a mega-sena da Virada. Cafajestada de um monte de idiotas que, na intimidade, também costuma cuspir asneiras.
Estou exausta do Brasil e dos “bonzinhos” que o habitam. Ambos são feitos da mesma matéria abjeta que, através da História, vem formando os fracassados, países e seres humanos.
Não conheço o William Waack, nunca o vi pessoalmente. Nem de longe. Mas conheço um monte de gente capaz dos comentários mais torpes e que, agora, está posando de vestal.
Haja paciência…

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