Previsões eleitorais

Minha versão cientista-política-troglodita resolveu fazer previsões para as eleições presidenciais que se aproximam. Não importa se sou troglodita, os brasileiros também o são. E muito menos que as previsões sejam malucas. Nada no Brasil funciona segundo a lógica. De modo que, de um jeito ou de outro, acabarei acertando os meandros da efeméride e o nome do vitorioso. Aguardo, inbox, convites para trabalhar na assessoria de qualquer presidenciável. Escrevo direitinho, elogio quem pagar mais e, de quebra, trago a pessoa amada em três dias.

Minha primeira versão é a de que não adianta tanta entrevista, tanta briga pelas redes sociais, tanto tititi, tanto mimimi. O sistema decidiu quem vai ganhar, as “urnas” eletrônicas já estão sendo devidamente manipuladas e a brasileirada que vai votar no dia sete e, talvez, vinte e oito de outubro, fará apenas figuração. Nesse caso, se o impoluto STF permitir o nome de Lula como candidato, as “urnas” o elegerão. Como o homem está condenado e preso, armar-se-á (gente, estou morando em Portugal, refinando as conjugações verbais) uma confusão internacional. Todo mundo dará palpites, haverá quebra-quebra, choro e ranger de dentes. Enfim, o caos.
Tal hipótese, porém, quem a formula é o meu DNA Neantherdal em estado puro. Talvez – e essa possibilidade, para mim, é a mais concreta –, Lula, de dentro da prisão, esteja apoiando Geraldo Alckmin. Como sabemos, Alckmin é mais do mesmo. Se eleito continuarão em cena os Renans, Maias e Lobões da vida e o Centrão – livre, leve e solto – manterá a corrupção intocável. Além do mais, com Alckmin no Planalto, Lula terá a chance de passar os próximos cinco anos falando do gópi, do tripéquis, da injustiça de estar preso, etc e tal. Manter o nome na onda é importante, dará tempo ao PT para se reestruturar da queda no despenhadeiro, enterrar os seus mortos e socorrer os seus feridos. Portanto, a minha segunda hipótese é a de que Lula, discretamente, aposta as suas fichas em Alckmin. Ou seja, pretende apenas mudar as moscas. O resto continuará com o aroma nauseante de sempre, à espera da suposta ressurreição da alma mais honesta do Brasil. Fernando Haddad não passa de um balão de ensaio, não tem capital eleitoral para substituir o chefão. Lula não gastará o seu resto de influência empurrando um cavalo manco.
São doze candidatos à presidência. Até o Cabo Daciolo, de quem nunca ouvi falar, está na corrida. Mas prevejo que os mais votados, mesmo com as “urnas” viciadas – há que se dar uma desculpa à população –, serão a eterna Marina Silva, Ciro Gomes, Álvaro Dias e Jair Bolsonaro. Sobre esse último, as minhas considerações.
Usando um discurso simples, sem os vícios de pose e de linguagem dos candidatos profissionais, Bolsonaro irrita os intelectuais e se faz compreender pelo povo. Deixando o papo de “bem e serviços de capital” ou “das curvas de possibilidades de produção” para o doutor Paulo Guedes, Bolsonaro fala o que os eleitores entendem: tolerância zero com a violência, a corrupção, o fisiologismo, o aparelhamento do estado, a hegemonia cultural – entendedores, entenderão. Se as “urnas” permitirem poderá surpreender.
Minha única tristeza, vença quem vencer, é que nunca terei certeza de que a vitória não foi forjada nas “urnas” eletrônicas, que nenhum país do Primeiro Mundo usa por considerá-las inconfiáveis. Não custava nada o casto STF ter permitido a impressão de registro de votos, assim haveria como verificar desconfianças futuras.
Eleiçãozinha complicada…

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