7 de julho de 2022
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O que não mata, engorda

Folheando antigos jornais portugueses, tropecei na notícia da escola ideológica de Antonio de Oliveira Salazar, chefe de um regime autoritário que durou 40 anos: de 1933 a 1974.

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Lembrei-me da discussão atualmente em voga no Brasil: a escola ideológica. Nem preciso dizer que sou contra tentar influenciar a cabeça da meninada com ideias prontas sobre qualquer projeto político. Fornecer à elas instrumentos que as qualifiquem a pensar melhor seria o ideal. Sonho com ótimas aulas de filosofia e sociologia, que abrirão a cabeça dos brasileirinhos e permitirão que eles amadureçam e consigam fazer escolhas conscientes. Isso acontecerá, claro, quando os nossos professores conseguirem transmitir, com alguma competência, ao menos o be-a-bá. Até lá – talvez, meio século, com sorte – prefiro que meus pequenos patrícios estejam livres de quaisquer influências.
Nem preciso explicar as minhas razões. Hoje, no Brasil, famílias que não são de esquerda irritam-se com a propaganda maciça em cima de seus filhos. Suponho que elas se sintam tão injuriadas quanto as famílias portuguesas esquerdistas se sentiam no tempo de Salazar. Viver a emoção do outro é sempre ótima maneira de avaliarmos uma situação. Nada melhor do que analisar o reverso da medalha.
No tempo de Salazar, o currículo obrigava as crianças portuguesas a engolir noções de Deus, Pátria e Família, a grandeza da nação e a moral cristã, hinos que louvavam o primeiro-ministro, a criação da Mocidade Portuguesa com a finalidade de ensinar aos alunos a obedecer e a respeitar o líder, repetição de slogans como “Tudo pela nação, nada contra a nação”, organizações paramilitares que começavam a ser treinadas nos bancos escolares. A ideologia estatal transmitiu à gerações o seu horror ao comunismo e a sua desconfiança ao Capitalismo. Certa, sempre certa, estava a Igreja Católica, Apostólica, Romana, que ninguém podia pensar em desobedecer.
Resumindo, tudo que andam querendo impor no Brasil, era ensinado ao contrário em Portugal. E assim como as famílias brasileiras de hoje, que rejeitam o ensino ideológico esquerdista, as famílias portugueses e esquerdistas de então se revoltavam com a pedagogia fascista que asfixiava os seus filhos.
Provar do próprio veneno ajuda a arejar as cabeças.
Ensino ideológico? Nunca…

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