22 de maio de 2024
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Nojo

Eu poderia dizer que não tenho palavras para definir a podridão brasileira.

Poderia proclamar a minha revolta, os meus piores sentimentos em relação aos políticos, uma corja de bandidos que se uniu em Brasília para confabular em benefício próprio, deixando os brasileiros literalmente morrendo à mingua.
Também poderia expressar o meu espanto pela insistência em reformar a Previdência Social. Como nos penalizar, cortar as nossas aposentadorias, se foram eles que a faliram com desvio de trilhões de reais? Se são eles que aceitam, mudos, que os grandes devedores continuem grandes devedores, pelo simples motivos que esses grandes devedores lhe$ pa$$am algun$ por fora?
Poderia contar que eu, que passei a vida inteira avisando que o único motivo que me levaria a participar de um movimento civil – sim, sou um poço de egoísmo – seria para protestar contra a pena de morte. É uma questão de fé arraigada, não a aceito (aceitava?) em nenhuma hipótese. Mas, imaginem só, depois de tanto alarde pacifista, confesso que tenho a minha lista para quando implantarem o garrote vil no Brasil. Não, fuzilamento não serve, é rápido demais. Quero que os políticos canalhas morram lentamente.
Poderia muita coisa, o que nos está acontecendo é indescritível, ultrapassa o absurdo. Não faltam motivos para protestar.
Mas o que realmente registro em letras maiúsculas, aos gritos, com toda a minha emoção é a vergonhosa, a lastimável, a inenarrável omissão dos  brasileiros que, mesmo sendo estuprados violentamente, não dão um pio, não esboçam um gesto de reação.
Eu, você que está me lendo, todos nós não valemos nada. Somos uns trastes inúteis, sem vergonha, sem moral, sem a menor noção de cidadania. Um povo que se desse a um mínimo de respeito, já teria virando esta emporcalhada mesa.
Merecemos os bandidos – digo, os políticos – que nos governam e continuarão governando. Eles sabem que, com carneirinhos emasculados -(perdão, feminzai, é só retórica) –, não precisam se preocupar.
Nojo de mim, nojo de todos nós.
Somos um povinho de merda.

O Boletim

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