A cor do menino

Neste mundo acontece cada coisa, que nem Deus explica.
Recentemente soube da incrível história do menino que nasceu verde. Um verde empoeirado, meio verde-musgo, meio pé-de-alface. Claro, virou notícia em todos os jornais do universo. Até os ETs, geralmente verdes, vieram ao planeta Terra para constatar se um baby ET não teria, por acaso, despencado da nave-mãe. Certificados de que não, o menino-verde era um verdadeiro terráqueo, sairam correndo do nosso sistema solar com medo do gênero humano, muito doido. Tanta tolice, nem os ETs aguentam.

O menino-verde cresceu às voltas com toda a sorte de preconceitos, coitado. Não adiantou o papai e a mamãe serem famosos e ricos, ele estudar em escola bilíngue, andar de carro com motorista, enfim, gozar de todas as benesses da classe privilegiada. O menino-verde, por conta de sua cor, não era um menino feliz. Se até a sua mãe o estranhava, imagina o resto da população mundial?
Vamos tentar entender o estresse materno, por favor. Afinal, quando o menino-verde saía à rua, armava-se o caos. O trânsito engarrafava porque os pedestres, atemorizados, tratavam de mudar de calçada tão logo o viam. Algumas pessoas fugiam por acreditar que o menino era verde-musgo por estar mofado. Quem sofria de alergias, tratava de dar no pé. Como sabemos, o mofo não brinca em serviço, é mestre em provocar crises respiratórias. Outros, que o enxergavam em outro tom, afirmavam que aquela gigantesca alface ambulante só podia ser obra de almas penadas e sumiam também. Existia quem planejasse sequestrar o menino para fazer uma imensa salada e os que, simplesmente, culpavam o governo – tá vendo no deu o gópi? Olha aí, surgiu um menino verde.
Mas esta história, sabemos, terá um final feliz. Brevemente, o menino-verde vai virar um rapaz-verde – talvez a cor se defina na adolescência e ele consiga ficar, digamos, verde-chartreuse, que não é um verde bonito, mas o nome é o maior charme. Então, o menino-verde descobrirá que, no lugar em que mora, quando se tem dinheiro e posição social, ser verde não faz muita diferença. Seus pais estão assustados com o jeitão verdura do filho porque não nasceram ricos, tiveram que batalhar, ainda não descobriram que a grana abre qualquer porta. Lamento informar, mas quem tem berço-de-ouro nessa história é o menino-verde, não os seus país. Estes, para não enlouquecer o filho, precisam assumir rapidinho que agora pertencem a Upper Class.
Vá, menino-verde, vá ser feliz. E desculpa as bobagens que a sua mãe anda falando, ela é mãe e as mães são mesmo assim, dramáticas e exageradas. Principalmente quando relutam em aprender que, verde ou não, gente rica é outra coisa.

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