As flores da cidade do Porto e coisa e tal

Como a temperatura anda meio maluca e, neste inverno, o frio na cidade do Porto deixou a desejar, as flores começaram a dar o maravilhoso ar de sua graça. Ainda falta um mês para, oficialmente, a primavera chegar. Mas em Portugal, a beleza é impaciente. Já que a temperatura ajudou, as flores que, ano passado, deslumbraram o meu coração carioca, decidiram ignorar o calendário.
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Foi assim, de repente. Sexta-feira, o Porto estava cinza. Hoje, ao sair, tropecei em magnólias brancas e rosas, copos-de-leite que nasceram vagabundos à beira da estrada, despreocupados com o trânsito que os rodeia. Lindos, eles brotaram orgulhosos, felizes por serem flores.
Voltei a ver as camélias. Ah, meu Deus, a lindeza das camélias da cidade do Porto.  As árvores exibem camélias brancas, rosas, vermelhas. Nunca tinha visto camélias vermelhas, acho que deveriam substituir a rosa no simbolismo da paixão. A Dama das Camélias sabia das coisas.
Fui e votei das aulas de chuleio e bainha aberta em estado de graça, é  emocionante morar num jardim.  A alma em festa, até esqueci as embrulhadas de meu Brasil brasileiro: o sítio que não tem dono, o triplique à beira-mar plantado com duas piscinas e elevador privativo que, coitado, subitamente viu-se condenado à orfandade. Ninguém assume a sua paternidade. As dezenas de contas bancárias offshore que pipocam no noticiário, a ilha de Angra, os banheiros em mármore de Carrara, a Suíça bloqueando contas dos acusados de corrupção, dinheiro a rodo que ninguém consegue explicar.
Mas  a natureza não se deixa enganar. Não é que as flores da cidade do Porto, em sua pressa exibida, saudaram a minha passagem para anunciar que, na América Latrina, as coisas tentam voltar à normalidade? Bastou eu chegar em casa e, via internet, checar as informações para entender porque, coloridas e alegres, as flores me sorriram na manhã de ontem.
Gente, Deus existe. A semana começou com a ótima notícia de que, na  Bolívia, Evo Morales e seus modelitos-Cacique-de-Ramos perderam a eleição que pretendia perpetuá-los no poder. No Brasil decretaram a prisão do marqueteiro João Santana, que mamou muitos milhões escusos na onda do Bolivarianismo. Até o boato que o Lula fugira correu na Rede. Claro, não acreditei. Se fosse verdade, não apenas a cidade do Porto estaria florida. O universo inteiro teria vestido a sua melhor roupa para comemorar. Além do mais, fugir para onde? Quem vai querer aquela figura?
Escrevo ao entardecer. No terreno ao lado, a árvore de magnólias é uma explosão de maravilhas. Sorrio para as flores, centenas delas, e decido ficar calada. Não lhes contarei que, ontem, também soube, pela revista Town&Country,  que os cachorrinhos da rainha Elizabeth II tem mordomo, cozinheiro e  comem em pratos de prata e porcelana.
Se souberem disto, elas são capazes de murchar.
Flores no inverno, expectativa de quase (in)justiça e cachorrinhos com mordomo.
Que planetinha mais sem pé, nem cabeça…
 
 
 
 

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