Apocalipse?

Até a hora em que escrevo – terça-feira, 15 de agosto, 10h30 da manhã em Portugal, seis e meia da manhã no Brasil – o mar ainda não tinha voltado ao normal nas costas do Uruguai, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Embora as explicações científicas estejam rolando nas redes sociais – muita calma, gente boa, foi apenas o vento que empurrou a massa de água para sei lá onde – , eu faço parte da turma da tragédia. Estou com muito medo de que, retornando, o oceano apronte uma falseta e invada as cidades.

As fotos são impressionantes. Em Laguna, Santa Catarina, o mar recuou 50 metros e, no porto de Montevidéu, os barcos encalharam porque a água sumiu. Li que as bases das pontes de Florianópolis estão expostas. Tenho um sobrinho que mora em Florianópolis com a sua linda família. Se dependesse de mim, eles já estariam, de mala e cuia, na minha casa, no Porto, onde o mar continua direitinho no respectivo lugar.
Como já afirmei várias vezes tenho 32 anos e meio. Há muitos e muitos anos, mas tenho. E, embora os jornais estejam publicando que, há duas décadas, aconteceu a mesma coisa, confesso que nunca, jamais, em tempo algum vi ou ouvi algo semelhante. Nunca soube que o oceano podia, subitamente, afastar-se da costa. Fui criada literalmente na beira da praia, conheço o mar. Acho esta história muito estranha.
Levando em consideração outro fato estranho – mais da metade do território português está em chamas –, começo a desconfiar que algo está acontecendo ao planeta. Pode ser o aquecimento global, embora saiba que, eventualmente, a Terra apronte o inesperado. No século XIV, a Europa testemunhou um mini-período glacial que transformou a geografia do continente: mudaram as áreas de plantio, cidades desapareceram, etc e tal. Se for este o caso, nada podemos fazer, a não ser aceitar a crise existencial do mundo em que vivemos. Talvez a culpa seja mesmo nossa e, gentilmente, o mar recuou para avisar à humanidade que ela precisa tomar jeito e parar de sujar o meio ambiente. Senão ele volta e, pronto, dá cabo de tudo. Sei lá.
Pelo sim, pelo não, aviso a quem mora perto das áreas onde o mar sumiu que vá visitar os parentes que moram no interior. Não custa nada. Como sabemos há séculos, cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém.
Ainda não me convenci de que o oceano voltará aos conformes comme il faut.

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