A Vila de Sintra

Há 20 anos, comemorados semana passada, a Vila de Sintra é considerada, pela Unesco, um Patrimônio da Humanidade.

SintraSintra

Charmosa, Sintra se recusa a ser elevada à categoria de cidade. Prefere conservar-se a Vila de ruelas de mais de mil anos. Delicado e colorido emaranhado arquitetônico que encaminha os visitantes ao castelo dos mouros ou ao Palácio onde, há quase seis séculos, Afonso Henriques brincava pelos jardins. Adulto, este infante começou a abrir as portas do mundo. É muita História, muita emoção.

Os árabes, quando dominaram a região, escreveram que Sintra está “sempre mergulhada numa bruma que não se dissipa”. Ou eu tive sorte ou eles tinham razão. A bruma, com jeito de sonho, recebeu-me quando cheguei. Já era noite e a névoa ajudou-me a ter a sensação de estar entrando numa realidade paralela. Os castelos iluminados pareciam pairar no ar. Não há palavras para descrever a tanta beleza.

Fui convidada por um casal de amigos. Com eles, participei da rotina dos habitantes de Sintra. Não posso me queixar de monotonia intelectual. No Porto, tenho o meu curso de Corte e Costura. No Rio de Janeiro, o Clube da Letra, um grupo que quinzenalmente se reúne para discutir cultura. Ou seja, a minha cabeça está sempre bem ocupada. Mas admirei a sofisticação dos sintrenses que decidiram comemorar a data com um sarau: jantar e a apresentação da peça ”A Ratoeira” por um grupo de Lisboa.

O anfitrião ofereceu a sua bela Quinta centenária, além de ter preparado pessoalmente os quitutes. Outra pessoa organizou a apresentação teatral. Uma terceira transformou a sala de visitas num espaço onde atores e audiência compartilharam as suas emoções. Todos contribuiram financeiramente para pagar aos atores e as despesas do dono da casa. Amigos convidaram amigos, que convidaram amigos e a noite foi uma confraternização animada onde nem todos conheciam todos, mas todos sorriam e se sentiam seguros.

Para completar, hospedei-me num chalé no meio de uma natureza exuberante. Vivi um fim de semana inesquecível.

No início do século XIX, Lorde Byron escreveu a um amigo que Sintra era “a vila mais linda do mundo” e, no poema Childe Harold Pilgrimage, descreveu-a como um “glorioso Éden”.

Confesso, só não fiquei com pena na hora de voltar para casa porque, afinal, estava voltando para o meu Porto, que, nesta altura dos acontecimentos, já é meu mesmo. Acho que, em Portugal, não há cidade mais acolhedora.

Aos muitos brasileiros que visitam Portugal deixo um conselho: visitem Sintra. É ao lado de Lisboa e realmente deslumbrante.

O romântico Lorde Byron não exagerou em nada.

Nem eu, podem acreditar.

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