Muito antes da internet, Randáu Marques tinha um Google particular sob a mesa

Randáu de Azevedo Marques foi precursor do jornalismo voltado para o meio-ambiente no Brasil. Muito, mas muito antes de grandes nomes como André Trigueiro, Liana John, antes mesmo de nosso colega e patrão Rodrigo Mesquita, um dos fundadores do S.O.S. Mata Atlântica, Randáu Marques já escrevia suas belas, bem fundamentadas reportagens sobre meio-ambiente no Jornal da Tarde.

Foi um precursor, um pioneiro, um desbravador. Valente, obstinado, batalhador. Muitas vezes ranheta, inflexível.

Sobre a importância de Randáu Marques no jornalismo sobre meio-ambiente, com toda certeza vários colegas vão escrever com muito mais propriedade do que eu. Só quis registrar aqui no meu site este elogio a ele – e contar que Randaú, ainda nos anos 70, muito, mas muito antes da internet, tinha um Google particular. Ficava embaixo da mesa dele no JT; depois foi crescendo, crescendo, crescendo – passou a ocupar o chão de umas três ou quatro mesas.

Eram caixas e mais caixas e mais caixas de papéis. Textos datilografados, xerox de matérias, de documentos, fotos, documentos originais.

Ivan Angelo, o grande escritor mineiro, durante anos e anos secretário de Redação do JT, volta e meia ameaçava mandar a Segurança jogar tudo aquilo fora. Argumentava que documento tinha que ser guardado no Arquivo (o Arquivo da S.A. O Estado de S. Paulo era uma coisa extraordinária, maravilhosa, competente, organizadíssima),

Randáu não dava a menor bola. Sabia que ninguém teria coragem de fazer aquilo.

A aparência do arquivo particular do Randáu era a pior possível, aquela coisa de casa de acumulador compulsivo – uma coisa suja, desorganizada. Numa redação japonesa, aquilo jamais aconteceria.

Mas o fantástico era que o Google dele funcionava.

Se surgisse uma pauta pedindo um levantamento de tal e tal dado, Randau punha-se de joelho, fuçava durante uns poucos minutos naquela zorra, e saía de lá com um sorriso no rosto e os dados pedidos na mão.

Que figura.

Não era à toa que os ambientalistas todos daqueles anos 70 e 80, quando o ambientalismo ainda dava seus primeiros passos no país, o respeitavam.

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Esta aí da foto é uma das muitas manchetes do Jornal da Tarde em cima de reportagens do Randáu. Me foi enviada pelo Rodrigo Mesquita, que dirigiu a redação do JT a partir de 1984 e, como bom jornalista e bom ambientalista, soube aproveitar muito bem o talento do cara.

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No meu site, conto a história de como Randáu e eu começamos exatamente na mesma época no JT.

Randáu Marques

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