7 de julho de 2022
Adriano de Aquino Colunistas

Convergência dos Extremos

As artimanhas da moral divina e do materialismo histórico.



As argumentações dos progressistas – made in USA – printados na mentalidade politicamente correta/progressista, replicadas no Brazil, convergem para um ponto comum.

Para esses dois vetores do protagonismo político contemporâneo, as democracias do ocidente são os principais culpados pela expansão do terror mundo afora.

As argumentações diferem em alguns detalhes (armas, petróleo). Todavia, convergem na certeza de que a mais devastadora violência contra a humanidade se origina dos três pilares das sociedades livres do Ocidente.

São eles:

1- a democracia;

2-as garantias à liberdade individual, de expressão e religião;

3-livre mercado.

Os multiculturalistas são unânimes em afirmar que esses três vetores, expandidos em operações culturais, econômicas e militares além-mar, se constituem armas de guerra política. Vem, dessa hipótese maluca, a ideia de que o maior erro das potencias ocidentais foi tentar impor a democracia na Ásia Central, em detrimento do fundamentalismo religioso das castas em confronto.

Alguns multiculturalistas condenam as práticas insidiosas do livre mercado e a permissividade criminosa dos cidadãos que vivem nas democracias do ocidente como cúmplices de um sistema criminoso. Os mais ‘politicamente corretos’ e os progressistas em guerra messiânica contra o o liberalismo, relativizam a violência jihadista contra civis e consideram os combatentes da Jihad islâmica a vanguarda da resistência, disposta, inclusive, a abrir mão da própria vida, se atirando na missão divina de espalhar o terror enquanto ato de autodefesa dos valores culturais e territoriais mais tradicionais.

Do 11 de setembro aos dias atuais, os combatentes da Jihad islâmica têm angariado simpatizantes no ocidente.

Alguns intelectuais dessa banda do mundo estabeleceram uma muralha de proteção onde guardam os argumentos de defesa que atestam, antes de tudo, que os crimes cometidos pelas democracias ocidentais contra aquela região do globo e aos muçulmanos em geral, são inomináveis e infinitamente mais violentos e destruidores que os massacres e ações de homens bomba.

Tomarei aqui uma citação fora dos padrões mais elegantes das correntes progressistas do ocidente para ilustrar minhas reflexões.

Todos já estão cansados de saber o que pensa Chomsky sobre a insidiosa vilania das democracias ocidentais.Também estamos fartos de saber que os progressistas nativos consideram os neoliberais os maiores assassinos do planeta. Isso significa dizer que se você não enxerga a realidade por esse viés é porque é um reacionário conivente com o Terror imposto aos povos do Oriente Médio, Ásia,América Latina, Leste Europeu,África e demais vitimas, pelo capitalismo eurocêntrico e norte-americano.

Todavia, poucos se importam com o que pensam sobre o terrorismo (se é que pensam) os velhos comunistas, para quem os liberais,bem como os multiculturalistas, progressistas e o escambau são tralhas burguesas que, ao fim e ao cabo, merecem – todos – “uma boa bala, um bom paredão e uma boa morte.”

O trecho que segue é parte de um artigo intitulado “Atentado em Paris: as lágrimas de crocodilo dos dirigentes europeus e dos EUA” de autoria de Edmilson Costa, secretário de Relações Internacionais do Partido Comunista Brasileiro.

Diz ele: ”Esse atentado em Paris se enquadra nas ações de terrorismo puro e simples. Cerca de 130 pessoas foram assassinadas, nenhuma delas possuía relação com o governo ou tinha realizado qualquer ação contra o islamismo. Foram mortos simplesmente por estar emno lugar errado, na hora errada. Tratou-se, evidentemente, de um ato bárbaro que ceifou a vida de inocentes, executado por fanáticos, sem nenhum critério político, ideológico ou militar. Na verdade, os executores desse massacre eram apenas peões guiados desde longe por interesses geopolíticos e econômicos do imperialismo, tanto europeu quanto norte-americano.”

Como vemos, um arauto do comunismo tupiniquim foi mais explícito que os progressistas ocidentais que ‘apoiaram’ em silencio os atos do terror em Paris.

Ainda que os comunistas, assim como os jihadistas, sofram de alergia crônica à democracia, o autor dessas linhas foi menos “compreensivo” com o terror avulso que os grupos politicamente corretos – made in USA, os progressistas nativos e os multiculturalistas ocidentais, no tocante aos atos da sexta feira sangrenta, em Paris.

Fica evidente que para um comunista brasileiro o “terrorismo puro e simples” sem objetivos políticos nobres, como o deles, é uma violência gratuita. Para um comunista, o terror de inspiração ideológica, cometido em nome de uma ideologia igualitária, fundada na hipótese insana de que o extermínio das diferenças é o caminho para paz, fundamenta-se na moral de que a execução em massa dos inimigos burgueses é um terror justificável e, portanto, mais ‘puro’ que os crimes do capitalismo e das falanges jihadistas.

O que se constata é que todos os segmentos do protagonismo progressista que se alastram nas democracias ocidentais, são unânimes em admitir que a democracia, as liberdades individuais e o livre mercado, enfim, o demoníaco ‘burguês’, como principal responsável pela crescente violência no mundo.

Essas vertentes, à parte algumas nuances, acham de pouca monta as características violentas inseridas na gênese do fundamentalismo religioso. Quer dizer, para essa gente, a cultura da violência tem seu cerne nas sociedades livres, como explicitado por Edmilson Costa, em seu argumento em prol do aprimoramento dos atos de terror pela via ideológica. Enfim, todos coincidem na premissa de que a violência contra as mulheres, as minorias étnicas e religiosas, são resultantes da violência das nações democráticas do ocidente.

Então, os terroristas islâmicos, ainda que careçam de uma causa ‘humanitária’, como os comunistas, devem ser redimidos de culpa.

É incrível que uma mentira tão maquiavélica ainda subsista em pleno século XXI.

Para esses indivíduos, amputar clitóris, dilapidar mulheres supostamente promíscuas, vetar educação e o prazer ao gênero feminino, açoitar e matar infiéis, subestimar crenças, punir com a morte os homossexuais, decapitar apóstatas, doutrinar mentes desde a mais tenra infância é ‘natural’ as culturas religiosas e, como tal, devem ser respeitadas como algo comum a todas as sociedades.

Os multiculturalistas defendem abertamente essa tradição por acreditarem que sua permanência não lastreia a opressão, o medo e, claro, o ‘boom’ da violência por todo o planeta. Dado que os muçulmanos, na era global, se tornaram cidadãos do mundo, sua espantosa arrogância, fundada na moral sagrada, lhes autoriza mudar radicalmente o mundo a fim de elevar a humanidade,como um todo, à categoria de servidores temerosos a Alá.

Queimem as estátuas! Apaguem a história! Cancelem os divergentes. Um novo tempo vos espera!

No século passado, à sua maneira, os eugenistas nazi tinham a mesma pretensão de purificar a a raça e credos do mundo.

Para esse intento, comum aos diversos vetores do protagonismo político da atualidade, a democracia ocidental é um estorvo que deve ser combatido furiosamente, até o juízo final.

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