21 de maio de 2022
Turismo

Verona, a cidade dos apaixonados

Ao visitar Verona pela primeira vez pensei em como William Shakespeare tinha sido brilhante ao escolher a cidade como pano de fundo para uma de suas mais famosas obras: Romeu e Julieta. A primeira publicação da peça é de 1597 e, àquela altura, Verona já tinha uma tremenda bagagem de vida: provavelmente fundada pelos celtas, passou a ser uma colônia romana, e, nesse período, experimentou grande crescimento econômico. É do período romano a construção da famosa arena.

Verona chegou à Idade Média como uma cidade próspera e desenvolvida. E assim continuou, com as mais importantes famílias locais disputando o poder, assim como aconteceu em diversas outras cidades italianas. Vale lembrar de Florença, por exemplo, com os Médici.

E nesse contexto surgiu a história do casal de namorados, impedidos por famílias rivais de continuarem juntos. Isso todos sabem, mas é interessante notar que a história é tão presente no nosso imaginário, que parece real e viva. Muitas palmas para Shakespeare e para os cineastas que transformaram a saga de Romeu e Julieta em dois filmes distintos e muito bons.

Dito isso, minha primeira imagem de Verona é do balcão da casa de Julieta, vazio. Acho justo!

A sacada da Casa da Julieta, em Verona. (Foto: Mônica Sayão)
Mapa esquemático do centro histórico de Verona, que, basicamente, tem seus principais atrativos à direita do muro terracota. (Foto: veronissima.com)

Verona está localizada na região do Vêneto, no norte da Itália, com cerca de 260 mil habitantes. Está bem próxima de Sirmione, no sul do lindo lago de Garda, o que faz um ótimo combinado a ser visitado.

PRINCIPAIS ATRATIVOS:

1 – Piazza Brà

É a praça da Arena de Verona. Um dos acessos mais interessantes à praça é pelo Portão Brà, mencionado pela primeira vez em 1257. A arena está situada no meio da praça e o entorno dela é cheio de restaurantes e cafés.

A arena foi edificada como palco de lutas entre gladiadores. Hoje o anfiteatro, que está muito bem preservado, é palco de grandes eventos como óperas, concertos e dança. Os ingressos para os eventos precisam ser comprados com antecedência porque são muito procurados.

Portão Brà é um dos acessos para a Piazza Brà, onde está a Arena de Verona. A porta de arco duplo foi mencionada pela primeira vez no século XIII. (Foto: Mônica Sayão)
Piazza Brà com a arena romana. A praça é circundada por prédios antigos, com lindas fachadas. (Foto: Mônica Sayão)
Detalhe das fachadas da Piazza Brà: há vários restaurantes e cafés. (Foto: Mônica Sayão)
Visão aérea da arena. (Foto: pt.wikipedia.org)

2 – Piazza delle Erbe

A Piazza delle Erbe, Praça das Ervas, é um dos lugares mais bonitos de Verona. Bonito e muito cheio de vida, já que parece que toda a cidade converge para lá.

No passado distante, a praça abrigava o fórum romano, o que significa que era o centro do poder político e econômico da cidade. Era onde as coisas aconteciam e parece que essa vocação permanece.

A praça tem forma oval bem alongada. Numa parte considerável da praça, há um amplo mercado de rua, que oferece desde legumes e frutas até roupas, artesanato e artigos para casa. Aliás, o nome Praça das Ervas não é por acaso e não é recente!

As construções no entorno da Piazza delle Erbe são muito impactantes: há duas torres, sendo que a Torre dei Lamberti é a mais importante, e também palacetes góticos e renascentistas, estátuas, fonte, e acima de tudo, muita gente circulando. É o coração pulsante do centro histórico de Verona.

Chama a atenção, dentre as diversas construções, a Casa Mazzanti, com sua fachada coberta de afrescos. Ela é do século XIV. Há vários restaurantes no entorno da praça, como era de se esperar.

Uma dica: é possível subir ao topo da Torre dei Lamberti de elevador. Lá de cima a vista é muito linda.

Piazza delle Erbe com a Casa Mazzanti em primeiro plano e a Torre dei Lamberti. (Foto: Mônica Sayão)
O outro lado da praça, em frente à Casa Mazzanti. (Foto: Mônica Sayão)
Detalhe na Piazza delle Erbe. (Foto: Mônica Sayão)

3 – Tumbas Scaliger (Arche Scaligere):

É um conjunto de cinco tumbas funerárias góticas da família Scaligeri, que governou Verona do século XIII ao final do século XIV. O conjunto é um dos melhores exemplares da arte gótica europeia.

Tumbas Scaliger: um primor da arte gótica. (Foto: Mônica Sayão)

4 – Casa de Julieta

Uma das visitas mais esperadas é a Casa da Julieta, que fica próxima da Piazza dele Erbe. Ao acessar o corredor que leva ao pátio interno onde está a Casa da Julieta, a gente já sabe que terá que disputar espaço para bons ângulos de fotos. As paredes desse corredor, aliás, são cobertas por cartões, bilhetes e até adesivos onde os casais apaixonados escrevem seus nomes, com a crença de que o amor deles se perpetuará.

A casa de estilo gótico, do século XIV, é hoje um museu e tem uma sacada de pedra, que provavelmente inspirou Shakespeare, como a sacada onde Julieta esperava por Romeu. A gente prefere acreditar que ela realmente existiu. No pátio externo, bem próximo da sacada, há uma estátua de bronze da Julieta.

Entrada para a Casa de Julieta. (Foto: Mônica Sayão)
Casa e estátua de Julieta. (Foto: Mônica Sayão)
Cartões, bilhetes, adesivos… e até bandaid com nomes de casais? Oh vida! (Foto: Mônica Sayão)

5 – O rio Ádige e o Castel San Pietro

É fundamental chegar até a beira do rio Ádige, rio que nasce no nordeste da Itália, passa pelas montanhas Dolomitas e segue descendo até Verona para depois desembocar no Mar Adriático. Suas águas são claras e limpas. Do outro lado do rio está Castel San Pietro, no topo de uma colina, facilmente identificável por ser a única colina bem próxima do rio na região do centro histórico.

O Castel San Pietro é o lugar de onde se descortina a melhor vista de Verona e também o melhor pôr do sol. O castelo é, na realidade, um edifício militar construído no século XIX, num ponto estratégico para controle do rio Ádige, assim como para controle da cidade, por estar numa colina. O acesso ao castelo pode ser feito de funicular, o que é bem mais confortável do que subir a pé.

Vista do Castel San Pietro, do outro lado do rio Ádige. (Foto: Mônica Sayão)
Detalhe da colina onde está o Castel San Pietro. (Foto: Mônica Sayão)
Vista da cidade a partir do Castelo San Pietro (foto:getyourguide.pt)

6 – Basílica de Santa Anasácia

Bem próximo à margem do rio Ádige encontra-se a Basílica de Santa Anastácia, que começou a ser construída no século XIII mas só foi consagrada no século XV. É a maior igreja da cidade.

Enquanto suas fachadas são bem austeras, seu interior tem rica decoração de afrescos, estátuas e obras de arte de grande valor. Paga-se para entrar, mas com certeza vale a pena.

Fachada da Basílica de Santa Anastácia. (Foto: Mônica Sayão)
Interior da Basílica de Santa Anastácia. (Foto: Mônica Sayão)

7 – Simplesmente flanar pelas ruas do centro histórico

Depois da visita aos principais atrativos, recomendo caminhar sem rumo pelo centro histórico. Com certeza haverá boas surpresas e ainda melhores lembranças.

Caminhar pelo centro histórico é certeza de bons achados. (Foto: Mônica Sayão)
Foto 20 – As descobertas continuam. (Foto: Mônica Sayão)
E os detalhes arquitetônicos encantam. (Foto: Mônica Sayão)
Linda Verona! (Foto: Mônica Sayão)

Na próxima semana recomeço minhas viagens internacionais com grupos, o que não fazia desde o início da pandemia. Serão duas semanas entre os Países Baixos e Paris.

Não haverá coluna nesse período mas o leitor poderá me acompanhar pelo instagram: @monicasayaoviagens.

Até a volta!

“Arquiteta de formação e de ofício por muitos anos, desde 2007 resolveu mudar de profissão. Desde então trabalha com turismo, elaborando roteiros e acompanhando pequenos grupos ao exterior. Descobriu que essa é sua vocação maior.”

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