Releitura, um ótimo hábito

Às vezes releio livros maravilhosos. Já postei antes sobre um dos meus livros favoritos, “Myra Breckinridge”, do Gore Vidal, que resolvi reler. Gore Vidal escreve muito bem e é dono de uma ironia irretocável. Escrito em 1968, o livro é a historia de Myron, um homossexual que decide mudar de sexo e se transforma na atraente Myra, arrogante e narcisista.
Assim que levou a primeira mão no dérrière e descobriu o machismo, Myra passa por uma mudança de consciência radical. Torna-se feminista e, a seguir, lésbica, apaixonando-se por outra mulher. Aí, como nasceu homem, Myra resolve voltar a ser Myron – sem recuperar o penis erectus.
Esse texto brilhante “a hurlé de rire”, escrito com senso de humor cáustico e iconoclasta, nos faz lembrar, ao voltar algumas décadas, que é possível se deliciar com a condição humana sob o ponto de vista do Gore Vidal. É um bálsamo nesses tempos medíocres de ideologia de gênero.

Por curiosidade, Gore Vidal e Jackie Onassis tiveram o mesmo padrasto, Hugh Auchincloss, e se consideravam irmãos. (Auchincloss, advogado e financista, foi o segundo marido de Nina S. Gore, mãe de Gore Vidal, e também o segundo marido de Janet Lee Bouvier, mãe de Jackie Kennedy Onassis.

Talvez o maior desafeto do Gore Vidal – ele tinha muitos – tenha sido o escritor Truman Capote, por sua vez o melhor amigo de Lee , irmã de Jackie O. Quando Capote morreu, Gore Vidal comentou que a morte de Truman Capote tinha sido “a good career move”. E disse numa entrevista que odiava Capote porque ele mentia. A mentira era tudo que Gore Vidal mais odiava no mundo. Mas isso é outra longa história.
PS: Eu me refiro ao livro, não ao filme, que nunca tive a curiosidade de assistir.

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