23 de maio de 2022
Lucia Sweet

Releitura, um ótimo hábito

Às vezes releio livros maravilhosos. Já postei antes sobre um dos meus livros favoritos, “Myra Breckinridge”, do Gore Vidal, que resolvi reler. Gore Vidal escreve muito bem e é dono de uma ironia irretocável. Escrito em 1968, o livro é a historia de Myron, um homossexual que decide mudar de sexo e se transforma na atraente Myra, arrogante e narcisista.
Assim que levou a primeira mão no dérrière e descobriu o machismo, Myra passa por uma mudança de consciência radical. Torna-se feminista e, a seguir, lésbica, apaixonando-se por outra mulher. Aí, como nasceu homem, Myra resolve voltar a ser Myron – sem recuperar o penis erectus.
Esse texto brilhante “a hurlé de rire”, escrito com senso de humor cáustico e iconoclasta, nos faz lembrar, ao voltar algumas décadas, que é possível se deliciar com a condição humana sob o ponto de vista do Gore Vidal. É um bálsamo nesses tempos medíocres de ideologia de gênero.

Por curiosidade, Gore Vidal e Jackie Onassis tiveram o mesmo padrasto, Hugh Auchincloss, e se consideravam irmãos. (Auchincloss, advogado e financista, foi o segundo marido de Nina S. Gore, mãe de Gore Vidal, e também o segundo marido de Janet Lee Bouvier, mãe de Jackie Kennedy Onassis.

Talvez o maior desafeto do Gore Vidal – ele tinha muitos – tenha sido o escritor Truman Capote, por sua vez o melhor amigo de Lee , irmã de Jackie O. Quando Capote morreu, Gore Vidal comentou que a morte de Truman Capote tinha sido “a good career move”. E disse numa entrevista que odiava Capote porque ele mentia. A mentira era tudo que Gore Vidal mais odiava no mundo. Mas isso é outra longa história.
PS: Eu me refiro ao livro, não ao filme, que nunca tive a curiosidade de assistir.

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Jornalista, fotógrafa e tradutora.

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