12 de agosto de 2022
Colunistas Lucia Sweet

Gospel of Sri Ramakrishna

Estou relendo neste início de 2021 a edição original (edition princeps) do livro “Gospel of Sri Ramakrishna”, publicado em 1897. O livro foi escrito por M. (Mahendranath Gupta, nascido em 14 de julho de 1854). Se eu e o Tomaz fôssemos para uma ilha deserta, e só pudéssemos levar um único livro, seria este.

Posto um pequeno trecho de um diálogo do 1o. capítulo do 1o. volume.

Mestre: Você gosta de meditar sobre Deus “com forma” ou “sem forma”?

Esta pergunta deixa M. novamente confuso e o faz pensar. É então possível que alguém possa ter fé em Deus sem forma, e, ao mesmo tempo, acreditar que Ele tenha forma? Ou se alguém acredita em Deus “com forma”, como poderia pensar que Ele é “sem forma”? Dois atributos contraditórios coexistem na mesma substância? Coisas brancas como leite também podem ao mesmo tempo ser negras?

Depois de refletir por um tempo M. Disse: Eu gostaria de meditar em Deus Sem Forma em vez de como um Ser “com forma”.

Mestre: Isso é bom. Não há mal nenhum em olhar para Ele a partir deste ou daquele ponto de vista. Sim, sim, pensar nele como o Ser Sem Forma é muito certo. Mas tome cuidado para não se deixar levar por essa visão como se ela fosse por si só verdadeira, e todas as outras falsas. Meditar sobre Ele “com forma” é igualmente certo. Mas você deve manter seu ponto de vista particular até que perceba – até que você veja – Deus, quando tudo ficará claro.

M. fica mais uma vez sem palavras. Ele ouve repetidamente dos lábios do Mestre que os contraditórios a respeito de Deus são verdadeiros! Nunca ele se deparou com uma coisa tão estranha em todos os seus livros e neles seu aprendizado está confinado. Seu egotismo recebeu outro golpe, mas ainda não está completamente derrubado e esmagado. Então, ele continua questionando e raciocinando um pouco com o Mestre.

M.: Então, senhor, pode-se acreditar em Deus “com forma”. Mas, certamente, Ele não é as imagens de barro que são adoradas!

Mestre: Mas meu caro senhor, por que deveria chamá-lo de imagem de barro? Certamente a Imagem Divina é feita do Espírito!

M. não consegue entender isso. Ele continua: Mas, não é dever de alguém, Senhor, deixar claro para aqueles que adoram imagens, que Deus não é o mesmo que as formas de argila que eles adoram, e que ao adorar a Deus eles devem manter o próprio Deus em vista e não as imagens de argila?

Mestre (bruscamente): Tornou-se uma moda entre vocês, gente Calcutá, pensar e falar apenas em ‘dar palestras’ e ‘trazer os outros à luz’! Ora, e como você vai trazer luz para si mesmo? Eh? Quem é você para ensinar aos outros?

O Senhor do Universo ensinará a humanidade se necessário – o Senhor que fez o sol e a lua, os homens e os animais, o Senhor que fez as coisa para que eles possam viver, que fez os pais para cuidarem deles e criá-los, – o Senhor que fez tantas coisas, não fará algo para trazê-los também à luz? Certamente, se necessário, Ele fará isso! Ele vive no templo do corpo humano.

Ele conhece nossos pensamentos mais íntimos. Se há algo de errado na adoração à imagem, Ele não sabe que toda a adoração é feita a Ele? Ele ficará feliz o suficiente para aceitá-la, sabendo que é para Ele.

Por que você deve se preocupar com coisas acima de você e além do seu alcance? Procure conhecer e reverenciar Deus. Ame a Deus. Esse é o seu dever mais próximo.

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Jornalista, fotógrafa e tradutora.

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