24 de outubro de 2026
Colunistas Ligia Cruz

Saque forçado no Grande Slam

Foto: Google Imagens – Portal Terra da Luz (meramente ilustrativa)

A queda de braço entre os apoiadores e opositores das vacinas anti-covid continua gerando calorosas polêmicas em esfera global. Basta ver o que está acontecendo com o tenista número um, Novak Djokovic, na Austrália.

O atleta sérvio, dono de 20 títulos no Grand Slam masculino, ingressou naquele país, para participar do 21° Aberto de Tênis, sem apresentar o passaporte de vacina. E ficou retido no aeroporto de Victoria, onde será realizado o torneio.

Isso só aconteceu porque a Austrália adotou um protocolo bastante severo em relação à pandemia, mas ainda não conseguiu controlar novos casos e reinfecções.

O lockdown foi bastante severo por lá, mas não obteve o resultado esperado. Ao contrário, nos primeiros dias de 2022, houve um incremento de 60% em uma semana. Somente no sábado passado os ingressos de infectados na UTI saltaram de 50% para 79%. Atingindo um pico de 71.409 de novos infectados, uma alta de 98%. O país soma 1,3 milhão de casos, 2.578 mortes e subindo.

No meio desse barulho, chega o tenista sérvio dizendo que não tomou vacina para a Covid por ser contra a imunização e não tem o tal passaporte sanitário.

Ficou preso na imigração do aeroporto com a ameaça de ser deportado enquanto seus advogados derrubam a decisão.

Mas foi só o primeiro round de uma batalha judicial que promete mais emoção fora do que dentro das quadras. O campeonato começará só na segunda-feira próxima, dia 17 de janeiro.

O fato é que Djokovic não é persona muito apreciada no circuito entre os oponentes, incluindo o suíço Roger Federer e o espanhol Rafael Nadal. Isso porque seu comportamento nas quadras é agressivo e vibrante. Ele chama o público para o grito, fazendo conchinha na orelha como se não estivesse ouvindo. E funciona, o que soa como provocação aos adversários. É acusado de trazer para as silenciosas quadras os ânimos das torcidas de futebol.

Na Sérvia ele arranca aplausos e a gritaria de um clássico como Palmeiras e Corinthians. Ele já teve Covid, realiza encontros e aglomera-se com pessoas, em torno de sua outra atividade de formação de professores em seu país, através de sua fundação de apoio à educação.

Para o que o povo da fleuma requintada do tênis torce o nariz. Mas é óbvio que isso faz parte do folclore do esporte. Tem mais aí. E certamente o preconceito que alimenta as relações humanas desde sempre.

O número um cresceu em meio à guerra nos Bálcãs e ainda hoje há ressentimentos seculares por lá. Os vizinhos de fronteira, como Croácia, Bósnia-Herzegovina, Montenegro e Hungria não se bicam com os sérvios. A disputa territorial foi sangrenta. E o tenista Novak Djokovic faz parte desse enredo.

Contudo, é fato que sem ele o Grand Slam australiano vai perder o brilho. E, certamente, ele deve ser mais um entre tantos atletas no mundo contrário à terapia vacinal. Justamente pela falta de elementos científicos que garantam plena proteção e ausência de sequelas. Nenhum laboratório, seja qual for, dá essa salvaguarda. Isso é fato.

O mundo está longe de olhar por cima do ombro para essa pandemia. Mas o que está faltando mesmo é bom senso. É preciso considerar a recusa das pessoas que não desejam se vacinar porque há reinfecção de vacinados e até mesmo óbitos.

Djokovic não tem a intenção de rebelar-se, mas de defender seu direito de escolha e sua rotina de cuidados com a saúde.

Mesmo que seja comprovado que ele está imune, para quem ficou trancado tanto tempo por lockdown, não vai engolir essa “insolência”.

Ele pode ficar fora, mas o tênis vai perder.

Ligia Maria Cruz

Jornalista, editora e assessora de imprensa. Especializada em transporte, logística e administração de crises na comunicação.

Jornalista, editora e assessora de imprensa. Especializada em transporte, logística e administração de crises na comunicação.

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