
Tudo o que se diga agora sobre o encontro na Malásia, antes de um pronunciamento do governo americano, é suposição.
Fontes da imprensa internacional presentes e da própria agenda de Trump, antecipadamente divulgada, garantem que não havia encontro programado com Lula. Foi um arranjo de última hora.
Diante da insistência de Lula, a comitiva americana concordou. Mas é cedo para afirmar que houve avanço nas tratativas.
O conteúdo da reunião à portas fechadas, ninguém sabe. Só os presentes. Então, essa comemoração ufanista da esquerda é totalmente irrelevante. É mais um “oba, oba” ensaiado como tudo que a claque petista faz.
Em cinquenta minutos não se faz nenhuma negociação. Principalmente porque não se trata apenas de tarifas, mas da violação dos direitos humanos no Brasil, dos abusos de Alexandre de Moraes e dos líderes do parlamento, da perseguição a cidadãos americanos, dos prisioneiros políticos e da prisão ilegal de Jair Bolsonaro. É tudo isso que está posto na mesa.
Supostamente, o fato de ter forçado o encontro e conseguido, para Lula já basta. Seu ego é o que conta. Ele fará declarações de que dobrou o americano e que a química rolou outra vez. Mas não foi o que a expressão facial e corporal de Trump denunciou.
Impaciência. Foi isso que se pôde notar. Lula mostrou-se confiante porque encarou o leão junto com seus guarda-costas, porque sozinho ele não encara ninguém. Jamais faria sacrifícios pelo país como fizeram os presidentes indiano, sul-africano e o próprio Zelensky. Todos foram “jantados”, como se diz na linguagem popular. Pegando Trump de surpresa desarmaria seu álibi. Que esperto!
Lula, certamente, foi lá defender Moraes, reclamar da invasão na Venezuela, da perseguição ao camarada Maduro e, por último, falar das tarifas. Se estivesse preocupado com as sanções não estaria “cozinhando esse frango” há meses, perdendo tempo com bravatas.
Conclusão: não há conclusão. Essa história vai se arrastar por mais tempo. Pode ser que, após a viagem à Malásia, Trump diga que não há acordo até que suas exigências sejam atendidas.
Talvez, o que possa pesar na balança seja o fato de que Trump não quer Xi Jinping nadando de braçada por aqui. A guerra fria com a China está aberta.
Embora ele saiba que o mandato de Lula está acabando não tem certeza do que ocorrerá nas próximas eleições. Nem nós.
Como um bom americano pragmático, a certeza é que Trump fará o que é melhor para os Estados Unidos, enquanto Lula só faz para si.

