22 de junho de 2024
Ligia Cruz

Mercado em suspense

São 158 as pessoas na equipe de transição do próximo governo até o momento. Ou seja, estão escrevendo a toque de caixa os programas que não existiam e sequer foram apresentados anteriormente pelo candidato nas prévias. Foi passado um cheque em branco nas eleições pela canetada da corte suprema, com a certeza de vitória (sic) do seu candidato.

Boa parte dessa gente será absorvida pelos ministérios, que sairão dos atuais 23 para 31 ou próximo a isso. Estão neles todas as estrelas encarniçadas do PT, PSOL, PSD, PSDB, PCdoB, REDE, etc. Nem é mais um cabidão, mas um grande varal de empregos.

O que teremos, mais uma vez, é a máquina administrativa inflada por servidores indicados, que terão como primeira missão aparelhar ministérios, secretarias, órgãos e mais penduricalhos e ONGs sedentos por abocanhar verbas públicas.

Todos os esforços empreendidos para diminuir o controle do estado e, consequentemente, o ônus sobre o país serão jogados no lixo.

É o PT impondo mais uma vez seu estilo de governar com lucros para si e os seus. Com a máquina inchada e a folha de servidores dobrando a meta, ao estilo dilmão, será uma festa. Essa gente está sem mamar a menos de quatro anos e já demonstra a fome voraz, pela dimensão da estratégia montada, para desarmar os conservadores. Os crápulas odiados pelos dominadores globais e os que não estão a seus serviços. Basta ver a postura de subserviência da esquerda a esses, que jamais perdem.

Mas o jogo vira, sempre vira, é só observar o efeito sanfona da história em que grupos ideológicos se revezam quando há excessos de uns e outros. Mas não no Brasil.

Desde o golpe militar de 1964, os conservadores, com todo seu espectro, incluindo a direita, definharam, se acovardaram e permitiram o crescimento dos opositores, o que é ruim em qualquer democracia. Foi exatamente isso que gerou os personagens da santa esquerda, que agora levanta os ânimos do público conservador.

Mas “fazer política” para essa esquerda mimada do Brasil não é um compromisso com a nação, mas um jogo de poder e resultados. A matemática é tosca nos cálculos, mas não no total prometido a cada sigla do grande guarda-chuva da esquerda.

O atual orçamento da União está praticamente em equilíbrio, com pequena disparidade deficitária entre receita e despesa, de 4,71 trilhão e 4,73 trilhão (dados do Portal da Transparência/2022).

Com todas as ações movidas pela área econômica da atual gestão, o Brasil fechará o ano no azul, em que pesem os impactos da pandemia e a guerra na Europa, de saideira. Mas a equipe econômica trabalhou dentro do teto orçamentário cirurgicamente.

Contudo, as despesas ainda consomem 65% do orçamento, números que vêm se arrastando há décadas e não se chegou a um equilíbrio todavia.
E é aí que mora o perigo. A equipe de transição já fala em fazer emendas ao orçamento por meio de relator. E defende não trabalhar com teto de gastos. A economia do país ficaria a esmo, sem regramento.

O que o mercado diz é que se isso prosseguir haverá um retrocesso e o país deixará de ser interessante para investidores. Basta ver os dados das bolsas e a queda das ações das empresas de bandeira brasileira, após os resultados das eleições, os nomes que estão em desfile e as posições defendidas.

Pode até ser que a próxima gestão consiga surfar na onda liberal por algum tempo. Mas não muito. Há um rechaço infantil em prosseguir com os êxitos de governos anteriores. O que é sistemático no Brasil.

Mesmo com a pretensa capacidade de “articular massas” – que já não é mais assim — o velho PT e o progressismo tupiniquim são os mesmos. Os nomes até então anunciados não desmentem isso.

O fato é que os governos progressistas e/ou socialistas já estão há quase 40 anos no comando e seguem culpando pelas mazelas os militares, que ficaram a metade desse tempo no poder. E seguirão fazendo isso porque o vitimismo faz parte do seu discurso.

Os militares não promoveram grandes avanços sociais, tocaram o barco, verdade seja dita. Governos fechados e antidemocráticos não são bons para nenhum país. O tempo em que brasileiros ficaram represados no seu direito ao voto, elegendo só candidatos biônicos alinhados com o governo, tornou os eleitores omissos e relapsos. E os resultados estão aí.

Só que o lulopetismo adora essa referência permeada de radicalismos. Democracia é bobagem, só retórica. A linha dura faz mais sentido com a esquerda hoje em dia no mundo do que com a direita, como se só houvessem adeptos à essa polarização. E isso não é verdade.

Mas o brasileiro vem se posicionando. Está todo mundo antenado em relação às decisões que a próxima gestão vai tomar. Entregar dinheiro público a países simpáticos ideologicamente, realizar obras no exterior com nossos recursos e rifar a Amazônia e os recursos nacionais a outros países, não vão rolar. Faça como faça, haverá consequências. É disso que se trata.

Ligia Maria Cruz

Jornalista, editora e assessora de imprensa. Especializada em transporte, logística e administração de crises na comunicação.

Jornalista, editora e assessora de imprensa. Especializada em transporte, logística e administração de crises na comunicação.

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