“Megxit”

Se o casal real está abrindo mão dos deveres e benesses do Reino Unido, para serem moderninhos e fugirem da “rainhavó”, que lidera o cumprimento dos ritos da monarquia, porque diabos o Canadá deveria bancá-los?

O país foi escolhido como a futura casa dos duques de Sussex, Harry e Meghan, após anunciarem que não desejam mais trabalhar em prol dos interesses da coroa britânica.

Segundo olheiros da vida palaciana, o casal estava cumprindo uma agenda muito grande ao redor do globo, sem tempo para a família e o próprios interesses.

Harry é o sexto na linha sucessória da realeza e sabe muito bem que o irmão e seus filhos estão à sua frente como herdeiros ao trono. Portanto, a periferia da corte e todos os compromissos o deixavam insatisfeito, apenas como serviçal dos Windsor.

Sua mãe, Diana, viveu a pressão e a rigidez moral da monarquia, tolerando, inclusive, muitos anos de adultério do seu marido, o príncipe Charles, com uma plebéia do seu passado. Ela queria ter vida própria, independência e morreu por isso, sem usufruir da privacidade de uma vida comum. Fugir dos fofoqueiros a vitimou.

Para a casa real tudo parecia superado ao longo dos anos até o neto mais novo, Harry, anunciar seu casamento com a atriz americana, Meghan Markle, afro-descendente e separada. Elizabeth, que certamente ambicionava o casamento do neto mais novo com uma pretendente de família nobre, viu seu intento desabar. Óbvio que Meghan é uma personagem totalmente fora do script.

A Casa dos Windsor teve que enfrentar a tempestade dentro da propria corte e ver vantagens na quebra de paradigmas. Envelhecer no trono é diferente de ter que se adaptar com mais de 90 anos. Dezenas de assessores cuidaram de tudo para mostrar ao mundo uma monarquia contemporânea. Isso feito, muito treino e Meghan saiu-se muito bem, apesar de não ser uma Grace Kelly.

Harry não quer nem saber se os súditos de Elizabeth II, simpatizam ou não com sua esposa, a duquesa de Sussex. Além de plebeia, ela é afrodescendente, uma novidade muito radical para quem sonhava ver a tradição ser seguida por casamentos arranjados e a manutenção do DNA celta e os olhos azuis.

A maior parcela da população integrante das ex e atuais colônias britânicas têm maioria negra e indiana, sem citar o caldeirão enorme de etnias e culturas dos países invadidos. Portanto esse fato já deveria ter sido há muito assimilado.

Na semana passada, o príncipe Harry, o filho rebelde de Diana, se amotinou outra vez. Ele anunciou a intenção de se livrar dos compromissos da monarquia e se mudar com a família para o Canadá.

Para o povão baba-ovo da realeza, a responsável pelo cisma é a ex-atriz. Por isso, a nova crise instalada foi batizada de “Megxit”, em alusão ao “Brexit”, a saída dos britânicos da União Europeia. E a rainha teve que digerir mais essa jabuticaba.

Hábil e experiente, Elizabeth entrou em cena e fez um acordo com seu neto Harry. Ele topou a transição da vida monárquica para a comum, entre a Inglaterra e o Canadá, sem romper de uma vez com a agenda e os deveres reais. Isso tudo sob o pretexto de que é necessária uma adaptação a outro modo de vida.

Mas porque o príncipe, sua duquesa e filho teriam problemas em outro país? Ela é atriz e ele militar, além de muitas outras aptidões que deve ter desenvolvido ao longo de sua vida na corte. Esteve até mesmo no Iraque junto com as forças de coalizão contra o terrorismo internacional.

Só que, pelo jeito, os currículos deles não valem nada, pois não existe precedentes de “desempregados de realeza” no Canadá. Com tantas formalidades, pré-requisitos e títulos de nobreza poderiam perfeitamente integrar a equipe de qualquer empresa ou empreender.

Primeiro o governo canadense concordou em dar parte do sustento ao neto de Elizabeth e sua família. Logo depois caiu a ficha do chanceler, Justin Trudeau, e ele deu um passo atrás. Afinal, a população não tem nenhuma obrigação de sustentá-los por viverem no país. Passado o mal estar, algum arranjo está sendo alinhavado nos bastidores.

Os ingleses continuam torcendo os narizes para Meghan. Com certeza foi ela quem apertou o botão “exit”, para além daquele mundo engomado cheio de chapéus.

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