Golpe no FGTS


Mal começou o pagamento do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) represado nas contas do governo e a bandidagem começou a abocanhar o naco dos trabalhadores. O mais novo golpe na praça é a invasão na conta do cidadão quando ele digita sua senha na agência. O atendente acusa que o código não foi aceito pelo sistema e a pessoa fica paralisada. Ao checar o saldo a quantia desapareceu. Foi retirada em agência de outro estado. Este fato ainda não foi divulgado pela grande imprensa, mas já povoa conversas na web.
Resta ao cidadão, que contava com o suado dinheirinho para saldar dívidas – isso mesmo, o brasileiro comum se preocupa em quitar pendências – morrer na praia, após braçadas a esmo em meio ao drama do país. Situação bem diferente dos grandes devedores do mercado que surfam na crise e investem milhões em marketing, mas sonegam impostos, como INSS. Recursos que poderiam melhorar a qualidade de vida daqueles que driblam o custo de vida, as altas taxas de bancos e cartões de crédito. Entre esses devedores de envergadura estão bancos, gigantes da indústria e empresas de todos os segmentos do mercado.
Oras, não deveria este tipo de ilícito ter sido previsto pelo governo federal, posto que o histórico da Caixa Econômica Federal não é lá um primor e tem um enraizamento conhecido com quadrilhas de longa data?
Quem não se lembra do deputado baiano João Alves, que morreu rico (sic), após ganhar seguidamente 221 vezes na loteria, nos anos 1990? Sujeito de sorte!  Sua movimentação bancária alcançou a cifra de US$ 50 milhões, tão fantástica era a sua capacidade de “palpitar” nos jogos da CEF.
Naquela época foi criada a CPI (Conselho Parlamentar de Inquérito) da “Máfia do Orçamento”, para investigar o envolvimento de políticos no desvio de verbas públicas, através de informações privilegiadas de dentro da Comissão Mista de Orçamento do Congresso. O comando dessa gangue era formado por parlamentares baixinhos (na estatura e no caráter), que ficaram conhecidos como “anões do orçamento”. Em 1994 foram denunciados por enriquecimento ilícito e trocas de favores por propinas sabem com quem? Empreiteiras. Um dos chefes era o deputado baiano acima citado. No final o anjo abençoado de Alves não o privou de uma morte sofrida por câncer pulmonar.
Outros trinta personagens sortudos surgiram ao longo dos anos e foram denunciados pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) do Ministério da Fazenda. Um deles “ganhou” 327 prêmios entre 200 e 2001, no total de R$1,5 milhão. E outros ainda somaram valores acima de 100 mil e 800 mil reais. E o povo acha que a “treta” está nas bolinhas que giram na gaiola de sorteio. Mas não.
O que se viu no primeiro dia do calendário programado para saques é de chorar. Pessoas sofridas e exasperadas dormindo em filas sem fim esperando as agências abrirem para pegar seus tostões. Sejam casos isolados ou não, apenas um já implica em fraude e o governo federal e o comando da CEF precisam agir rápido para minorar a vulnerabilidade do sistema. Vamos ver qual é o desfecho porque o povo não merece ser mais uma vez humilhado.

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