23 de maio de 2022
Ligia Cruz

Aras bolas!

Imagem: Arquivo Google – O Roncador
O mais novo capítulo da novela republicana da semana foi  a indicação de Augusto Aras para a Procuradoria Geral da República e o desfecho patético que Raquel Dodge, atual titular, deu ao seu mandato.
Após tentar de tudo para permanecer por mais dois anos no cargo, Dodge se rendeu a um acordão indecente e subtraiu trechos da delação premiada de Léo Pinheiro, executivo da OAS, na Lava-Jato.
O texto retirado  implicava o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e José Ticiano Dias Toffoli, irmão do presidente do STF.
O resultado foi um pedido de demissão coletiva de procuradores da força-tarefa de Curitiba e do Rio de Janeiro. Os seis demissionários alegaram “incompatilidade”, sem mais explicações.
Vergonhosa a retirada de Raquel Dodge para o limbo da história.
Para esmaecer os riscos da gravura, entrou em cena o novo indicado de Bolsonaro, para a vaga de  PGR: Augusto Aras.
Pesa sobre ele o fato de seu nome não constar da lista tríplice da Associação Nacional dos Procuradores da República,  de ser conservador, ter mau gênio, ser crítico dos métodos adotados  por integrantes da Lava-Jato e os rasgos ora de direita, ora de esquerda. Um perfil controverso, segundo a imprensa e muitos eleitores do presidente nas mídias sociais.
A indicação de Bolsonaro atenderia a um conchavo para apaziguar os ânimos em Brasília e  livrar seu filho e senador, Flávio Bolsonaro, do Ministério Público.
Para quem ansiava por um tenaz PGR como Deltan Dallagnol, não foi dessa vez.  Quando o lençol é curto, não dá para cobrir os pés e a cabeça.
Enquanto essa batalha de bastidores avança e Aras se prepara para a sabatina no senado, o presidente se descola de seu principal fiador:  Sergio Moro.
Deve ser difícil lidar com  persona dessa envergadura. Tomara que tudo seja só uma questão de estratégia.
Se não for, no vai da valsa, quem está de sapatos apertados não dança.
Jornalista, editora e assessora de imprensa. Especializada em transporte, logística e administração de crises na comunicação.

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