24 de maio de 2022
Junia Turra

Crônica do aprendiz ao mestre


Ainda não encontrei palavras para agradecer o Pulitzer que recebi no domingo 29 de setembro.
Prêmio Pulitzer único! Enviado on line. E estava ali intacto na galeria do celular.
Meu telefone travou: memória…
Os dois mil vídeos que recebi em menos de duas semanas de uma única pessoa foram a gota d’água do último megabyte.
Todos os aplicativos debandaram.
Roguei aos céus: esse negócio de nuvem, ó Senhor, é contigo. Não alcancei dom celestial algum. Não sou merecedora da sua misericórdia divina, não galguei degraus na paciência e no silêncio:
– traz de voltaaaaaa meu WhatsAaaaaapp para eu entrar na nuuuuvem!
Então, Deus do Universo, do céu e da terra, tenha dó de mim e faça aparecer como num milagre o que o JR Guzzo, um mestre, escreveu pra mim.
Não, claro que não me esqueci, Senhor meu Deus, que és também mestre. O mestre dos mestres. Então, graças ao Senhor, o Guzzo é mestre.
Mas, eu, como não é novidade, não tenho paciência e a elevação necessária.
Devoooooolve o Pulitzer que o Guzzo escreveu pra miiiiim.
Baixa a tal da nuvem antes que eu chame aqueles que não largam o osso, a turma que grita Lula livre.
Não, desculpe, Senhor!
Eu fiquei um pouco alterada, mas não sou da turma do bagulho argentino.
O Papa Bergoglio é quem desrespeita a soberania dos povos, criou o sínodo da Amazônia, ignora o holocausto cristão e ainda acabou com a União Internacional Católica de Imprensa que, por décadas, uniu jornalistas de todo o mundo para tratar de fatos, direitos humanos e que tanto contribuiu para questões humanitárias, inclusive a perseguição a jornalistas nas ditaduras de esquerda.
Obrigada Senhor, porque sabemos que bandido que não se arrepende pode desviar meio bilhão de Reais em corrupção mas não entra no reino dos céus.
E aqui na face da terra Lula está preso e enjaulado. Ainda está. Ajoelhou, tem que rezar. É a sabedoria popular, do povo de Deus.
Por falar em sabedoria, venhamos e convenhamos, Senhor, diante dos graduados sob a égide do governos das últimas (mais) de duas décadas, eu chego a ser socrática.
Ele, Sócrates, sabia que sabia, mas não queria sofismar. Então, disse ” só sei que nada, sei”.
Engraçado é que maioria diz que sabe, e não sabe nada.
Pois é, Sócrates não escreveu, usava a oratória. Aposto que era em repúdio a Jornalista com diploma.
E o Senhor meu Deus sabe, sou infelizmente, da geração diplomada.
Peço perdão pela insistência, mas, no negocio da nuvem, pode me ajudar?
Baixa só o meu Pulitzer, aquele escrito do Guzzo pra mim. Preciso imprimir, emoldurar e colocar na parede. Nunca mais virtual. Sempre ver para crer.
Aaaah, desculpe.
Faltou a fonte. Foi o santo que disse.
Eu pequei, Senhor, mas estou sem tempo pra penitência. Já basta o STF e os oportunistas de sempre.
Então…
São Tomé que disse. Foi ele! Eu?
Não disse, nada.
Vou dar o devido crédito antes que Vós, que estais acima do bem e do mal, me dê um block de 30 dias. Desculpe Senhor. Sei que criou o tempo, mas não está nele. Então, “block”, não! Perdão.
E errei os pronomes de tratamento.
Mas você também, digo, o Senhor meu Deus, também permitiu um titulo de Doutor Honoris Causa para o “preso anarfa”. Faça-me o favor. Não deixa Querubim no Vosso plantão.
Ó Senhor, meu Deus do céuuuuu, animei geral, o Guzzo escreve de uma maneira impecável, como escreve bem. É um mestre.
Já falamos disso… ou melhor, eu falei.
O Senhor ouviu?
Ah, desculpe, não quis interromper a leitura da coluna do Guzzo.
Por meio século ele escreveu na Veja, que era referência no Jornalismo. E por uma década mantinha a coluna esperada por todos.
Certa vez perguntei a ele sobre um momento marcante na vida dele. A resposta: foi quando assumiu a chefia da revista, por mérito!
Mas há tempo para tudo na face da Terra e a revista que sob a chefia de José Roberto Guzzo chegou a vender um milhão de exemplares, trocou a informação por marketing de um grupo que quer se manter no poder para garantir o bem comum a eles.
Na última edição eles vetaram o texto dele.
E foi formalizada a saída.
A revista foi as bancas, mas esqueceram de colocar o THE END na capa. A chama que mantinha a Veja acesa se apagou.
Quanto ao Guzzo, o Senhor bem sabe, é um mestre.
Naquela frase “faça a tua parte que eu te ajudarei”, fiz a minha, deletei mais de 3 mil vídeos.
Eis, meu Pulitzer de volta!
Obrigada, Senhor, por ter feito a Sua.
E obrigada por nesse tal vale de lágrimas, nos deixar a vela acesa.
E o Guzzo continua a nos iluminar com letrinhas.
Amém!

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Jornalista internacional, diretora de TV, atualmente atuando no exterior.

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