25 de julho de 2024
Junia Turra

Crônica de Davos: resumo

Bolsonaro optou por agendas fechadas. Não cancelou “Press Konferenz”. Porque tanto faz. Cadê a grande cobertura da imprensa brasileira? Já está com o texto pronto em cima do Press Release. Vai descer o pau.
Mas eu vim, gente!
E corri de um lado para o outro. Chamei mais a atenção que o Bolsonaro. Perdi a equipe, óculos, celular, uma luva e torci o pé.
Fake news…. Yes, Bolsonaro chamou mais a atenção por não querer chamar a atenção. Sem verde e amarelo, sem bater tambor, foi discreto. Sem abre-alas. Em nada lembrava os cucarachas Lula, Dilma e FHC fanfarrões com grandes comitivas e gastos de sultão. A turma da esbórnia!
Bolsonaro ouviu e foi ouvido. Questões de Estado. Deixou todos confortáveis porque ele mostra as coisas como são. E sem falar muito. Que alívio para os outros. Não vão ter que sorrir na foto e mandar o assessor falar com o outro assessor ali no cantinho.
Agora é sem atravessador. O presidente do Brasil conseguiu abrir a possibilidade de parceria com todos. Menos aqueles que correm por trás. Eles não tiveram lugar à mesa.
Novo Brasil
Os brasileiros precisam deixar de ser deslumbrados. Chega do modelo “quero conquistar meu primeiro milhão de dólares e fazer sucesso na rede social e no Instagram postar fotos de viagens escalafobéticas”.
Coloque em primeiro lugar o todo e como parte dele você, brasileiro, vai se destacar. Observe que começa um tempo de trabalho em grupo: parceria, ajuda mútua. Precisamos uns dos outros.
Aos resistentes? O boicote!
Recuperar a identidade
Chefes de Estado europeus agem como funcionários do povo. Assim se coloca Bolsonaro e sua equipe.
O chanceler austríaco Sebastian Kurz de 32 anos, da mesma linha oposicionista de Bolsonaro encanta o mundo por preservar valores e cultura, estudar, trabalhar.
Viaja na classe econômica e como qualquer um do povo – assim funciona na Europa – usam a bike, nadam em rios e lagos, não têm piscina em casa e não comem em self-service (a expressão é “Mensa” – referência aos restaurantes de universidade) e significa: “cada um sirva-se”. Alguns são carésimos e não aceitam gente que tem dinheiro e não sabe se portar.
A impressão por onde passou
Bolsonaro encerra hoje a participação no Fórum Econômico de Davos e deixa a melhor das impressões. Tem nível, educação e não dissimula.
Muito parecido com os suíços das montanhas. Foi o que me disseram os funcionários que o atenderam em Davos. ” Ele é simples o primeiro a fazer as coisas. Não é como os outros”.
Os outros quem, pergunto.
“Ah, de outros anos que falavam muito alto, muita gente, muita comilança. E chamavam sem parar. Reclamavam de tudo.”
O que a turma da vila está falando do presidente do Brasil?
“Ah, Herr Bolsonarô parece com o povo daqui. Não dorme até tarde e não esquenta lugar. Tá certo, se nós aqui temos muito pra fazer, ele lá num país tão grande e com situação complicada, sabe, a violência, e governos assim que roubam. Os brasileiros, conheço muitos, eles contam cada coisa. Mas esse homem aí, se deixarem, faz a coisa andar na linha. Conhece o Brasil? Queria ir – suspiro – Rio de Janeiro. Lá tem montanhas assim, que eu quero escalar. Gosta de alpinismo? ” Também sou de montanha, disse eu. E o Rio de Janeiro é lindo !
Esperança..
Bolsonaro não gritou que o gigante acordou, nem que somos melhores em nada. Pela primeira vez resgatou nossos valores de brasileiro naquilo que o povo é: imigrantes de várias partes do mundo, do Japão à Suíça. É cultura brasileira!
Respeito mútuo.
Nos respeite. Em contrapartida, brasileiro, quando for à casa do outro, respeite também. Observe. Aprenda. Se não gostar, volte pra casa. Não falam alto na Suíça. Nem em pubs. Ninguém berra na rua. Há disciplina e leis. Punição. Dói no bolso. Impostos caros, saúde pra todos. Educação pra todos. Mas não tem mamata. As casas são pequenas, sem empregados. Esqueça as mordomias. Tire os sapatos antes de entrar.
A imagem do Brasil para negócios
O Brasil vive uma situação catastrófica, um pós-guerra, mas com resistentes no local.
“Mas queremos recomeçar, nossa equipe está pronta, vamos adiante!”.
“Estaremos entre os 50” (não fez como FHC que disse não existir crise e nem Lula que esqueceu de contar ao povo que pagou apenas os juros da dívida externa brasileira) . A verdade dói, mas é a verdade!
E aparecem as mãos estendidas ao novo governo.
Sinto informar aos da elite caviar bunda suja: perderam!
Correndo na redação em Zūrich pra ver se consigo dar uma de tiete e pedir “tira uma foto comigo, Bolsonaro?”
(Coisa que no local enquanto imprensa, fui imprensa. Mas depois do dever cumprido…)
E o Brasil começa uma nova era.
Foto de capa do Wiener Zeitung , jornal austríaco de maior circulação mostra que: “se aparecerem Adélios jogarão livros neles”.
Pra bom entendedor , um pingo é letra.

Junia Turra

Jornalista internacional, diretora de TV, atualmente atuando no exterior.

Jornalista internacional, diretora de TV, atualmente atuando no exterior.

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