24 de maio de 2022
Joseph Agamol

À Beleza que mora nos detalhes


Há mulheres que são belas como o mês de janeiro no Rio.
Explico: é só abrir a janela de manhã e o sol gigantesco inunda a cidade, expondo e revelando cada detalhe sob sua luz impiedosa.
“Gente, mas pra quê isso tudo?”, eu penso, diante de janeiros cariocas e belezas óbvias demais.
Porque eu gosto é da beleza que se achega de mansinho, vocês sabem?
A Beleza implícita.
Aquela que exige que você preste atenção.
A beleza óbvia é intransitiva, impositiva, se escancara de repente, se evidencia num átimo, quase não deixa nada a ser descoberto.
A Beleza implícita não. Ela economiza, transparece aos cadinhos, te deixa “duvidante”, “mas aquele nariz assim assim”, “e aquela boca grande demais”, e aí você descobre:
Um cabelo até a cintura ou que para na nuca, um perfume que só se consubstancia se você chegar bem perto, um pescoço elegante, um pé macio, um olho rasgado, um olhar intrigante.
A Beleza implícita te toma como uma epifania.
Uma revelação.
E, porque ela faz sua residência nos detalhes, nos recônditos, você meio que a conquista todos os dias.
A Beleza implícita é atemporal.
E te transforma em conquistador de inóspitos mares oceanos, em guerreiro viking, em astronauta,
A se admirar diante dos mundos novos.
E o melhor da Beleza implícita é que toda mulher possui a sua.
Cabe a (re)descoberta.

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Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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