16 de agosto de 2022
Colunistas Joseph Agamol

Todo revolucionário comemora o caos

Foto: o ator Louis Hofmann fotografado no set de “Dark” pelo diretor Baran Bo Odar)

Lembro até hoje onde estava no dia 11 de setembro de 2001: na escola na qual lecionava. Desci para o recreio e um amigo, também professor de História, me abordou, com um tom entre entusiasmado e assustado, falando coisas que me pareciam sem nexo:
– ‘Cê soube? Ofensiva terrorista nos Estados Unidos! Atacaram as Torres Gêmeas!

E não soube dar mais detalhes, tempos de internet incipiente, quiçá inexistente, celulares que só falavam uns com os outros, vê se pode. Só fui saber o que aconteceu à noite.
Mas nunca esqueci o tom efusivo do meu amigo ao dar a notícia. E levei algum tempo para entender.
Ele era revolucionário, claro. E, para as mentes revolucionárias, o caos é efusivo. É motivo de festa. Comemoração. Pouco importa a que custo ele foi alcançado. O importante, para um revolucionário, é que ruam as pilastras e edifícios, reais e metafóricos, da sociedade. Pouco importa o que vai ser construído depois. Se é que vai. O importante é a destruição.
Dito isto, alguém ainda se surpreende com o tom muito mal disfarçadamente comemorativo com que tantas pessoas enxergam o momento atual?
Elas saúdam entusiasticamente o advento do caos, que trará, ao mesmo tempo, vingança para os ressentidos e redenção para os culpados.
Todo revolucionário cobiça o caos.
Mesmo que não sobre nada para reconstruir depois.
PRINCIPALMENTE se não sobrar nada.

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Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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