O dilúvio da corrupção no Estado do Rio de Janeiro

A máxima “Aprés moi, le déluge” (Depois de mim, virá o dilúvio)”, atribuída a Luís XV, rei de França, persegue o eleitor do Estado do Rio de Janeiro, depois que o honrado 1º governador da Fusão, Faria Lima, deixou o governo, em 1979.

Deixou saudades e obras importantes, como a Linha 1 do metro com suas 5 estações.

A partir de 1998, o dilúvio da corrupção encharcou o Palácio Guanabara, sede do governo. Devastou reputações: 5 governadores eleitos foram presos e um pode estar a caminho…

Otelo de Shakespeare dizia que a reputação “é um “apêndice ocioso e enganador”.

O ex-governador Sergio Cabral levou ao pé da letra o dito e responde a 31 processos penais. Já foi condenado a 293 anos de prisão em 14 deles. Confessou na 7ª Vara Criminal Federal ter recebido propina e comparou nostalgicamente o dinheiro e o poder a um “vício”.

O atual Governador, o ex-juiz Wilson Witzel, já foi afastado do cargo, por 180 dias, pelo Superior Tribunal de Justiça, por suspeitas de irregularidades na rede de saúde.
Na eleição a Governador enganou a todos com seu discurso moralista e bolsonarista.

Na pandemia, pessoas morrem nos hospitais lotados, enquanto o Ministério Público Federal (MPF) investiga o desvio de recursos públicos para o escritório de advocacia da 1ª dama Witzel. Teria recebido R$ 554,2 mil de membros de uma organização criminosa da saúde.

A Assembleia Legislativa do RJ (ALERJ) já abriu o processo de impeachment de Witzel.

A comissão especial elabora um relatório, a ser votado no próximo dia 17 e depois será submetido ao plenário.

A população do Estado do RJ não tem do que se orgulhar da indecorosa ALERJ.

O petista André Ceciliano chegou à atual presidência da Câmara Estadual, em fevereiro de 2018, após a prisão por corrupção do seu ex-presidente, Jorge Picciani.

A mesa diretora da ALERJ decidiu dar posse a 5 deputados presos, em 2018, por suspeita de corrupção na Operação Furna da Onça. Libertos, assumiram os seus mandatos.

Atualmente, 28 parlamentares são investigados por peculato e lavagem de dinheiro no tradicional esquema da “rachadinha”, em que assessores devolvem parte do salário ao político que o nomeou. Entre os suspeitos, está o presidente da ALERJ, cujos sigilos fiscal e bancário já foram quebrados pela Justiça. O Ministério Público detectou movimentações atípicas de R$ 49 milhões nas contas de 4 pessoas vinculadas a seu gabinete.

De quem é a culpa do esquema de corrupção que assaltou o RJ?

A resposta insultuosa e maldosa é dizer que a culpa é do eleitor, que escolhe mal.

As eleições no Estado do Rio de Janeiro, pós 1987, são um jogo de cartas marcadas.

O processo eleitoral é dominado por oligarquias partidárias que monitoram as eleições viciadas e se acostumaram a vencê-las antes da abertura das urnas.

Candidatos de ficha suja são aceitos e se dificulta ao máximo nas convenções que pessoas dignas com um passado limpo e aptas a um cargo eletivo se candidatem.

Os mais populares candidatos dos currais eleitorais são previamente escolhidos e são prestigiados por uma maciça propaganda eleitoral nessa farsa democrática, que a Ministra Rose Weber do Superior Tribunal Eleitoral (STE) jura que “assegura a higidez do processo eleitoral”, ou seja, a sua perene “saúde”.

Resta ao eleitor do RJ votar no menos ruim e dizer Amém.

Que Deus proteja a população do Estado do Rio de Janeiro contra o dilúvio da corrupção.

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1 Comentário

  • Alexandre Monteiro da Silva , 16 de setembro de 2020 @ 08:45

    Sensacional texto amigo. Estamos de acompanhante nesta canoa furada de políticos do Rio.

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