4 de julho de 2022
Veículos

Uma voltinha na Porsche Cayenne V6 2019


Grande, luxuoso, potente. Sei que os adjetivos são meio óbvios quando falamos no carro deste post, mas não me ocorrem outros, desculpem. Nesses nossos peculiares tempos, em que os SUV são o sonho de consumo automotivo da maioria, a* Porsche Cayenne 2019 é uma espécie de superlativo entre superlativos. Tivemos a oportunidade de passar algumas horas com ela, em sua versão de entrada, que custa R$ 423 mil. Você confere mais de nosso passeio no vídeo da TV Rebimboca (acima).

Em plena “meia vida” de sua segunda geração, a Cayenne acaba de receber alguns retoques. Parte deles se nota logo de cara: a grade e os faróis, agora de LED, foram modificados. Na traseira, a alteração foi ainda mais significativa, com lanternas mais afiladas e uma espécie de ponte ligando as duas, com o nome da marca em destaque, justamente no ponto do carro que os outros motoristas mais costumam ver.

Sob o capô há um motor V6 turbo que gera 340cv de potência e 45kgfm de torque. Força suficiente para levar suas quase duas toneladas com muita facilidade. Nas outras versões da linha, há ainda outras duas opções de propulsão: o mesmo V6, mas com duas turbinas (bi-turbo) e gerando 440cv com 55kgmf na versão S, e um V8 também bi-turbo que despeja 550cv e 77kgmf nas rodas da versão chamada Turbo.

Arrojo e aconchego
Por dentro, para onde quer que você olhe, só verá matérias de altíssima qualidade, combinados com a velha discrição alemã. Couro, aço e superfícies em um material que lembra madeira escura polida (black piano), sem exageros. Em relação às versões anteriores, o que mais me chamou a atenção foram os comandos para recursos e acessórios no console: antes, havia uma quantidade enorme de botões, capaz de deixar até um nerd atordoado. Agora, em menor número, os comandos são em grande parte do tipo “touch” (acionados por toque) em uma superfície envidraçada. E as regulagens e acionamentos mais minuciosos são feitos através da tela panorâmica de multimídia.

No painel, como em todos os Porsche, o ponto central é reservado ao conta-giros, analógico e cercado por duas telas configuráveis de alta definição, nas quais é possível se escolher o que ver, entre velocidade, mapas, performance e uma infinidade de outras opções.
Nasceu com um escândalo!
Quando a Cayenne surgiu, em 2002, muita gente torceu o nariz, principalmente os puristas e admiradores da Porsche. Afinal de contas, a marca alemã se tornou célebre por seus modelos esportivos, pequenos, ágeis e com fome de asfalto. Ironicamente foi esse galipão com pinta de off-road aí que, literalmente tirou o pé (ou as rodas) da montadora da lama – as vendas da marca, àquela altura, estavam em declínio. Lançado nos EUA em 2003, o carro – que lá é tratado como um “SUV de porte médio” – fez um tremendo sucesso. Hoje, com os esportivos utilitários dominando o mercado em boa parte do mundo, fica até difícil pensar na Porsche sem a Cayenne – que, aliás, acabou dando até um filhote, o menorzinho e igualmente bam-bam-bam de vendas Maccan.
Com a Cayenne, a Porsche voltou a fabricar carros com motor V8 instalado na dianteira, uma configuração que havia deixado de lado em 1995, quando aposentara o esportivo 928. E esse motorzão certamente é um dos motivos pelos quais os norte-americanos gostaram tanto do carro. Tanto que a receita acabou sendo repetida quando a marca lançou, em 2009, o Panamera, o seu primeiro carro executivo, um cupezâo de quatro portas, fazendo mais um monte de gente torcer o nariz – e outras tantas pessoas abrirem a carteira, claro.

Dando uma voltinha
Ainda que a Cayenne não tenha algumas das características típicas da marca Porsche, o fato é que ela oferece alguns de seus fundamentos: a alta performance e o estilo diferenciado. Vá lá que o foco principal pareça estar no luxo. Mas basta ligar o motor, pôr as mãos no volante e apertar o pedal direito para você se lembrar rapidinho que está ao volante de um Porsche. Até porque, é claro, o escudo da fábrica está ali para lembrar você disso.

No nosso curto test-drive, não tivemos muito espaço (nem caminhos) para levar a Cayenne a velocidades maiores do que os permitidos 80 km/h. Ainda assim, em breves arrancadas e retomadas, dá para sentir no corpo, empurrado contra o ótimo banco do motorista, a força que seu motor V6 turbinado pode ofrecer. Passeando, as trocas do ótimo câmbio automático de oito marchas são praticamente imperceptíveis e a suspensão é macia como a de um sedã de luxo. Alterando no console a seleção para o modo esportivo, no entanto, a rigidez geral aumenta, as marchas passam a ser esticadas até rotações mais altas e a direção fica mais firme e direta.

É claro que, por seu porte, peso e altura, o comportamento da Cayenne não é igual ao de um esportivo baixo como, hum, seu endiabrado irmãozinho 911. Nem chega perto disso. Mas em um trechinho mais sinuoso, deu até para sentir a ação dos sistemas eletrônicos nas rodas, corrigindo discretamente a trajetória do carrão, que parecia até rodar em trilhos de tão estável.

Dá para imaginar como seria em uma pista livre, ou, melhor ainda, em uma autobahn alemã, daquelas em que o juízo (ou a falta dele) é o limite. E já que é para imaginar, sonhar, quem sabe, em fazer essa viagem por lá a bordo da versão mais cara e potente, a turbo, que tem motor V8 , como o nome sugere, turbinado (na verdade, bi-turbinado) de 550 cv, é capaz de arrancar de zero a 100 km/h em pouco menos de quatro segundos e atingir os 286 km/h de máxima. Para fazer turismo em alto estilo e com deslocamentos rápidos e divertidos.

Ficha técnica da Porsche Cayenne (dados do fabricante)
Motor: 6 cilindros em V 3.0L
turbo com 340cv de potência e
torque de 450Nm @1.340-5.000rpm
Câmbio Tiptronic S de 8 marchas
Performance:
0-100 Km/h: 6,2 s, Vel max: 245 km/h
Pneus: 275/45 R20 (frente);
305/40 R20 (atrás)
Porta malas: 770 litros
Dimensões (mm): Comp: 4.918,
Larg: 2.914. Alt: 1.696
Peso: 1.985 kg
Preço: R$ 423.000
(*) Pensando em como iria começar a falar sobre o carro que é o nosso assunto de hoje, de cara, fiquei em dúvida quanto ao seu gênero. “O” ou “A” Porsche Cayenne? Ingleses costumam tratar automóveis, independentemente de seu tipo, no feminino. Eu costumo tratar assim picapes e camionetes (ou peruas), em parte por concordância nominal, em outra por… sei lá porque. O carrão aí é um SUV, mas por algum motivo, toda vez que vou falar nele, o artigo “a” automaticamente o precede. Freud, quem sabe, explica.

Fonte: Blog Rebimboca

Jornalista, blogueiro e motorista amador.

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