Um passeio de off-road elétrico na Lua, em 1971


Depois de muitas idas e vindas, parece que, desta vez, os carros híbridos e elétricos estão chegando e devem dominar o mercado dentro dos próximos 10 anos. Não tanto no Brasil (embora já existam aqui modelos à venda e até frota para aluguel no Recife), pelo menos por enquanto, mas na Europa, na China e ma Califórnia (aquele enclave ecologicamente engajado dentro dos EUA), por exemplo, a frota dos veículos limpinhos e silenciosos cresce a cada dia e num ritmo cada vez maior. Mas se esse tipo de carango soa como novidade deste final de segunda década do século, há um lugar em que, já entre 1971 e 1972, os modelos elétricos compunham 100% da frota circulante: a Lua.

Criado em pouco mais de um ano e meio por um grupo de engenheiros da NASA, o jipe lunar – ou Lunar Roving Vehicle, como é conhecido no país de origem – chegou pela primeira vez ao nosso satélite natural a bordo da Apolo XV. Leve (210kg aqui na Terra, 36kg na baixa gravidade da Lua) e rápido de montar – ficava pronto em apenas 20 minutos -, o carrinho era movido por motores elétricos, atingia cerca de 13 km/h de velocidade e tinha uma autonomia de pouco menos de 100 km. Apesar dos números aparentemente modestos, no vídeo acima, parece ser até divertido de dirigir – especialmente na Lua, claro. A direção era feita por uma alavanquinha, como um joystick.

Jipe Lunar – Diagrama
Jipe Lunar – pneus

Além da propulsão elétrica, o jipinho tinha outras modernidades que só chegariam aos carros terrestres nossos de cada dia 40 anos depois, como câmeras monitorando o caminho e computador de bordo – capaz de orientar os astronautas em relação à posição do módulo Lunar. Se perder na superfície da Lua não seria, mesmo, uma boa opção. Além disso, em vez de pneus de borracha, muito pesados para levar na viagem, ele era equipado com um interessante jogo de rodas construídas com uma malha de titânio e plaquinhas para ajudar na tração.
Ao longo de três missões – Apolos XV, XVI e XVII – três unidades do LRV foram utilizadas, cada uma delas rodando entre 26 e 35km totais em suas missões de exploração. Foi graças a esses carrinhos que boa parte das amostras minerais trazidas do quintal de São Jorge puderam ser recolhidas.
Mas por que, afinal de contas, estou falando desses jipinhos justo agora? Bom, o principal motivo de ter me lembrado deles foi justamente o santo – seu dia foi comemorado na última segunda, 23/4 -, de cuja mitologia fazem parte embates lunares com um dragão. Se não há sinal real de dragão na Lua, os três off-roads elétricos ainda devem, estar por lá – salvo se alguma quadrilha alienígena de puxadores de carro pintou no pedaço.

Jipe Lunar em ação – Apolo XV

Fiquei aqui pensando quanto valeriam, hoje, no mercado de colecionadores esses LRVs. Apenas quatro deles foram fabricados, e três deles estão na Lua – o quarto, que seria usado na missão Apolo XVIII, cancelada, ficou no acervo da NASA. Se uma Ferrari 250 GTO 1962 (somente 39 foram produzidas) sai por mais de US$ 50 milhões, periga uma empresa chinesa resgatá-los para, depois, leiloá-los no e-bay e, assim, lucrar com a viagem. A corrida espacial pode ganhar um outro sentido.

Selo comemorativo – Jipe Lunar

Fonte: Blog Rebimboca

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