23 de maio de 2022
Veículos

Rivian leva eletricidade para o off-road e atrai grandes investidores


Pelo nome, a marca talvez combinasse mais com algum tipo de remédio contra a melancolia, mas pensando bem, o espírito da coisa pode ser bem esse: veículos para aproveitar bem a vida em qualquer tipo de terreno, com todo conforto e sem nenhum peso na consciência em relação à emissão (pelo menos direta) de poluentes. As grandes picape (virtual no vídeo acima) e SUV 4×4 apresentadas pela novata Rivian nos salões do automóvel (Los Angeles e Detroit) americanos têm um jeitão classudo e, ao mesmo tempo, retrofuturista. Remédio caro – devem ter custos acima dos 70 mil dólares (uns R$ 250 mil), mas causaram uma boa impressão geral. Tanto que, em pouco tempo, atraíram um bom número de compradores dispostos a pagar uma taxa de reserva para tê-los na garagem a partir do ano que vem e, mais que isso, investidores interessados em apostar recursos em seu futuro sucesso.

Modelos Rivian no Salão de Los Angeles | divulgação

Elétrons urbanos
Normalmente, quando falamos em carros elétricos, pensamos em modelos urbanos. Carrinhos bem compactos, do tipo que já é compartilhado em diversas cidades do mundo (inclusive aqui do Brasil, como em Fortaleza e Recife) em sistemas tocados por empresas moderninhas. Ou então luxuosos e descolados modelos de luxo como os da Tesla. Mesmo entre as montadoras tradicionais, carros desse tipo costumam se encaixar mais nesse perfil que em qualquer outro. Se até algum tempo atrás isso ainda poderia fazer algum sentido – elétricos, em geral, tinham pouca autonomia e hacthes e sedãs eram os tipos de automóvel mais vendidos em quase todos os lugares –, hoje a coisa já não é bem assim.

Em mercados como o nosso (e em toda a América Latina), os utilitários esportivos (SUVs) desbancaram esses desenhos mais tradicionais de carroceria e vendem mais a cada ano. Nos EUA, bom, lá as grandes picapes são campeãs de vendas há décadas e há muito os SUVs literalmente mataram as versões SW das principais linhas, as minivans e, mais recentemente, vêm detonando todo resto. Não por acaso, marcas como a Ford estão simplesmente desistindo de produzir outros carros que não os utilitários. Se pensarmos que a Tesla vendeu nada menos que 245 mil carros em 2018, tendo apenas um SUV, o modelo X, em linha e que as picapes saem aos milhões dos concessionários todos os anos por lá, percebemos que o terreno para a novata é dos mais férteis. E ela aproveita a deixa e se apresenta como fabricante dos primeiros veículos elétricos para a aventura (veja no site da marca).

Daí eu achar que os tais investidores – entre os quais já estavam o grupo japonês Sumitomo e o grupo saudita Abdul Latif Jameel – estão aplicando bem seus recursos. Tanto que, esta semana, mais um gigante de peso resolveu se juntar a eles, o gigante de e-commerce Amazon. Mais do que simplesmente receber um polpudo retorno do que vai investir, a empresa deseja utilizar os veículos “limpos” da marca em sua logística de entregas. Só para você ter uma ideia do que isso significa, no ano passado, a gigante encomendou mais de 20 mil vans para que seus parceiros terceirizados façam essas entregas. Vans movidas a diesel, que ela deseja substituir logo que possível por uma alternativa mais sustentável.

Skate elétrico
Fundada em 2009 pelo engenheiro americano R. J. Scaringe, a Rivian desenvolveu um sistema bem interessante de propulsão e armazenagem de energia. Tudo – motores e baterias – fica alojado em uma espécie de plataforma chata, como um grande skate (abaixo). Sobre ele são montadas as duas opções de carroceria disponíveis para encomenda, a picape cabine dupla R1T e o SUV de sete lugares R1S. Com diferentes opções de baterias, que lhes dão maior autonomia, os carros lembram bastante os modelos Range Rover, pelo porte e por usas linhas retas e planas.

Com a configuração intermediária de motores e baterias, os carros contam com 135 kWh de carga, 764 cv de potência e igualmente estimulantes 114 mkgf de torque (a título de comparação: uma picape Chevrolet S10 diesel tem 51 mkgf). Com esse pacote, a fábrica garante que eles vão de 0 a 100 km/h e fugazes três segundos e podem rodar até 500 km sem recarregar.

Com sua plataforma pronta para receber praticamente qualquer tipo de carroceria, a Rivian pode até vir a lançar um grande sedã de luxo, mas hoje, com esses dois utilitários, ela está em uma das melhores posições que uma montadora, ainda por cima recém-nascida, poderia estar: à frente de todas as outras.

Fonte: Blog Rebimboca

Jornalista, blogueiro e motorista amador.

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