O HB20s Premium e sua dupla personalidade


Os automóveis podem ter personalidades distintas e, às vezes, até complexas e difíceis de se perceber de cara ou apenas dando uma voltinha com eles. Mais ou menos como um novo amigo ou amiga tímida, que vai se revelando aos poucos, a medida em que conquistamos sua confiança e intimidade, esses carros só se revelam, mesmo, depois de um contato um pouco mais prolongado. Você pode argumentar – e não estará errado, estimado leitor – que essa teoria psicológica toda tem mais a ver com os eventuais motoristas do que com o carro em si. Mas o fato é que com o Hyundai HB20 S Premium – assunto deste post e protagonista do vídeo da TV Rebimboca acima – o meu relacionamento aconteceu mais ou menos assim.

Já conhecia o HB20 1.6 de outros carnavais, tanto hatch, quanto sedã, embora em outras versões. Por isso, não esperava grandes surpresas durante este test-drive de uma semana. E, de fato, com câmbio automático de seis velocidades, uma seleção razoável de itens de conforto, foi o seu jeitão macio-quase-pachorrento o que mais sobressaiu em nossos primeiros trajetos. Se ele fosse um personagem, este bem poderia ser um daqueles educadíssimos e impessoais mordomos de filme, sempre a postos para servir, calados e eficientes. Destoando dessa discrição eficiente, talvez apenas o alto nível de ruído dentro do carro quando o piso era mais irregular ou de paralelepípedos.

No início era o tédio
E lá fui eu analisando suas diferentes características e gravando os meus depoimentos, embalado por essa postura correta, mas quase chata de um carro que mostrava sempre reações comedidas, chegando mesmo a resmungar em alto e bom som quando eu insistia em cobrar dele respostas mais rápidas, afundando o pé no acelerador.

Até que, lá pelo terceiro dia de relacionamento, sem grandes expectativas, resolvi dirigir um pouco com o câmbio na posição manual. Nada de borboletas no volante: empurrando a alavanca no assoalho para frente, as marchas sobem; para trás, elas descem. Entrei em uma via expressa e que diferença!
Mantendo o motor cheio – ou seja, os giros mais altos e todas as 16 válvulas trabalhando –, o HB20 parecia ganhar um ímpeto quase juvenil. Se no modo automático as velocidades se alternavam tão suavemente que, às vezes, nem dava para percebê-las, agora as seis marchas trabalhavam bem mais animadas, se sucedendo muito mais rapidamente. O mordomo, quem diria, tirou folga e resolveu se divertir.

Exagerando um pouco, me lembrei até daqueles câmbios automáticos sequenciais dos modelos esportivos importados do final dos anos 1990, começo dos 2000. Isso até chegar perto das curvas, claro, onde ele não parece estar tão à vontade – embora não seja exatamente instável nem, dentro dos limites do bom senso, passe insegurança. Macio e sem controle eletrônico de estabilidade, o HB20s não é feito para arroubos de pilotagem – e, afinal de contas, nem é esse, mesmo, o seu perfil.

Um dos modelos preferidos por quem vai alugar um carro, tanto para viajar com a família, quanto para trabalhar, ele é principalmente confortável, prático e discreto. Mas, escondida por trás de sua aparência comum e de todo esse amortecimento, ele traz guardada uma porção bem mais divertida, pronta para ser convocada nos momentos mais adequados.
Ande mais rápido, gaste mais dinheiro
Pisar mais no acelerador, no entanto, tem lá o seu preço. Rodando sempre com álcool, anotei um consumo urbano de pouco mais de 6 km/litro, medidos pelo computador de bordo. Ou seja, se quiser economizar, use esse pedal com moderação.
Por dentro, essa versão topo de linha traz um bom pacote de acessórios de série, incluindo ar-condicionado automático digital, faróis com acendimento automático e luzes de posicionamento em LED, central de multimídia fácil de manejar e com TV e câmera de ré (esta, opcional) incorporadas e espelhos que se rebatem automaticamente ao estacionar, entre outros itens funcionais e estéticos. No geral, a ergonomia – ou seja, a facilidade de se alcançar e acionar essas coisas todas – é boa. Dirigir o HB20s definitivamente não cansa.

Na frente, motorista e passageiro vão bem instalados em bancos simples, mas com boa forração e nem duros, nem moles demais. Se eles não forem muito grandes, outros dois adultos vão também com conforto atrás – mas, no caso de o motorista ser comprido, a coisa pode apertar um pouco. Não há nem apoio de cabeça nem cinto de três pontos no acento central, mas como mais um adulto ali ficaria espremido, isso não faz lá muita diferença. E se for para prender uma cadeirinha de criança, há encaixes no seguro sistema Isofix. O porta-malas pode abrigar até 450 litros de bagagem, mas sua abertura é um pouco apertada, o que pode dificultar a entrada de malas maiores.
Na ponta do lápis
Mas afinal, vale a pena pagar R$ 73 mil por um HB20s Premium 2019? Em 2018, somadas todas as suas versões, o sedã da Hyundai foi o quinto mais vendido no disputadíssimo segmento dos sedãs compactos no Brasil. As opções por preço semelhante são muitas, algumas delas mais modernas, comparativamente mais bem equipadas e espaçosas do que ele. Por outro lado, não é a toa que esse modelo é uma das figurinhas mais repetidas nas locadoras, frotas e serviços de carro por aplicativo. Ele é robusto, confiável, confortável, prático e, por que não, simpático. Há outras versões desse sedã feito em Piracicaba, SP, por preços a partir de R$ 49 mil.
Ou seja, se você procura um modelo com essa configuração, vale colocá-lo entre as suas opções de compra. Vale também informar que uma nova geração da linha HB20 deverá ser lançada até o final deste ano e, com ela, esse sedãzinho também deve sofrer modificações. Por outro lado, essa informação pode, quem sabe, servir de argumento para você negociar um bom desconto na concessionária.
HB20s Premium 2019
Ficha técnica (álcool/gasolina; dados de fábrica):
Motor: 1.6 litros com 16 válvulas, flex, em alumínio
potência – 128/122cv; torque – 16,5/16kgfm
tração dianteira
Câmbio: automático com 6 marchas e modo manual sequencial
Desempenho: vel. máx – 191/187km/h
aceleração – 0-100km/h 10,6 s
consumo – 7/10,2 (urbano), 9,3/12,9 (estrada)
Direção – hidráulica
Suspensão (diant/tras) – McPherson com barra estabiliz., independente
e molas helicoidais / eixo de torção, semi-independente e molas helicoidais
Freios (diant/tras) – disco ventilado / tambor
Rodas e pneus – 185/60 R15
Dimensões (mm) – comp. 4.230; larg. 1.680; alt. 1.470; entre-eixos 2.500
Peso: 1.086 kg
Capacidades: porta-malas 450 l; tanque 50 l
Preço: R$ 72.990
Fonte: Blog Rebimboca

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