Diário da crise XXXVIII

Hoje andei às voltas com algumas boas notícias. Sem perder de vista, é claro, a tragédia que vivemos no planeta.

Uma delas veio da Nova Zelândia, um pais com dimensões continentais e uma população em torno de 4,2 milhões de habitantes, portanto bem pequena.

Liderado pela jovem Jacinda Arden o país proclamou vitória sobre o coronavírus. Não há mais casos. Este não é o único fator da vitória: o país tem condições de rastrear novas casos, se aparecerem.

As atividades econômicas serão retomadas. Haverá alguma restrição às atividades sociais. O país quer sair cautelosamente para este momento pós coronavírus.

Portugal também anunciou o fim do estado de emergência no dia 2 de maio. Foi também um país bem sucedido na luta contra o coronavírus, embora tenha de manter precauções pois está ao lado da Espanha numa Europa muito atingida.

Um fator de peso em Portugal foi a união de governo e opositores contra o adversário comum. Enfatizo esse aspecto pois escrevi sobre ele quando o vírus ainda estava circunscrito a Wuhan, na China. Naquela época, afirmava que somente uma resposta nacional e solidária teria alguma eficácia contra o vírus.

Outra boa notícia veio da Universidade de Oxford. Os cientistas que trabalham a vacina acham que podem concluí-la até setembro de 2020, portanto um ano antes das previsões mais conservadoras.

Eles testaram em seis macacos e os resultados foram satisfatórios. Além disso, constataram que não faz mal aos seres humanos e pretendem iniciar os testes com 6 mil pessoas.

Se realmente, tudo der certo, como parece até agora, no final do ano a vacina pode ser um presente de Natal e um horizonte mais tranquilo para 2021, ano em que teríamos apenas que lidar com a terrível crise econômica.

Finalmente, uma notícia me espantou hoje: a sugestão de Trump para que fossem suspensos os voos do Brasil para os Estados Unidos.

Ele afirmou que o Brasil vive um surto sério e que tomou uma posição diferente de outros países sul-americanos.

A posição negacionista de Bolsonaro foi inspirada em Trump. Temos 60 mil casos de Covid-19, os Estados Unidos chegaram hoje à marca de um milhão de casos.

O surto nos EUA, por maior que seja nossa subnotificação, é muito mais sério do que o brasileiro.

De qualquer forma, se Trump reage assim, é sinal de que nossa imagem sanitária no mundo não anda boa.

Isso tem uma enorme repercussão. Mesmo depois de passada a crise, as questões sanitárias terão peso não só no fluxo de pessoas como no de mercadorias.

No momento, ainda é difícil transmitir para as pessoas o impacto das posições do Bolsonaro não só na imagem do Brasil como na nossa relação individual com o exterior.

Estou falando de Donald Trump. Será que também ele é de esquerda?

Fonte: Blog do Gabeira

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