Diário da crise XXX

Como previ, o dia foi tomado por discussões sobre a presença de Bolsonaro em manifestação sobre o AI5.

É uma constante perda de energia. Há anos que observo populistas de direita e esquerda. Falam uma coisa hoje, outra amanhã, uma diante de uma plateia, outra diferente em outro auditório. Analisar as suas frases é como lutar com mosquitos na beira do rio no crepúsculo. Prefiro essa última hiptese: é mais tranquila e a água fresca.

No passado, quando Lula já fora do poder dizia uma coisa depois desdizia, resolvi conceder um habeas língua e não comentar mais suas frases.

Hoje, o Ministério da Saúde nos deu um susto. Aumentou em 270 o número de mortes nas últimas 24 horas. O erro foi corrigido mas é preciso muito cuidado com isso.

No esforço de manter as pessoas em casa, a imprensa mostrou exaustivamente o perigo do corona vírus. Uma longa exposição às noticias aumenta um pouco nossa ansiedade.

Não sou partidário de uma tática, oposta de enfatizar apenas boas noticias. Não há espaço para um otimismo ingênuo.

A coisa é difícil. É preciso encará-la de frente. Hoje, por exemplo, depois de duas semanas entubado um amigo foi liberado do aparelho.

É um dia feliz. Sei que vai passar alguns dias a mais no hospital. Sei que será uma recuperação difícil. Imagino pela entrevista de um doente que escapou do entubamento que há dificuldades de recuperar a voz, a força dos músculos.

Mas ele escapou e em outras circunstância tomaria uma taça de  de vinho para celebrar essa notícia maravilhosa. Mas não posso me esquecer que o corona matou 113 pessoas, descontado o erro do Ministério da Saúde. Creio que numa guerra talvez as pessoas tenham também essas sensações contraditórias.

Fonte: Blog do Noblat

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1 Comentário

  • Ademar Amâncio , 28 de abril de 2020 @ 09:01

    Foi só mudar o ministro começou as trocas de números de mortos,meio suspeito,não?

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