3 de julho de 2022
Carlos Eduardo Leão Colunistas

A sutileza de um cumprimento

Levanta-te! Cumprimente teu Presidente! Senta-te!

Não dá pra passar batido o épico cumprimento do PR ao Ministro Alexandre. Entende-se por “épico” tudo aquilo que é fantástico, memorável, heroico, inesquecível ou de grandeza de espírito.

Bolsonaro personifica a autenticidade. Seus gestos são simples, diretos, sem rodeios. Por vezes inconvenientes dada à transparência de sua personalidade. Um presidente simples, muito pouco litúrgico, que fala o idioma do povo, que está junto dele diariamente e que, por isso, com ele tanto se identifica. Se imaginarmos a pose de Collor, a pompa de FHC e a elegância vampiresca de Temer, pode-se até dizer que o PR é um Shrek, um matuto, um tosco.

A sua inesperada atitude ao cumprimentar um dos seus mais implacáveis desafetos políticos durante aquela solenidade mostrou ao Brasil que, apesar dos pesares, o respeito aos Poderes está entranhado nos seus cromossomos democráticos. Muito embora não precisasse, muito em função do momento, seguiu naturalmente o protocolo da boa educação sem nenhuma afetação e diferenciou definitivamente as situações.

São inúmeras as interpretações para a sutileza daquele gesto em que o PR pede ao Ministro pra se levantar. Fico com a clara sensação de que a importância daquele momento exigia dois homens de pé. O grande desafio do ser humano é, indubitavelmente, cumprimentar seu inimigo. Somente os grandes espíritos conseguem fazê-lo. Com altivez, serenidade e reserva moral, Bolsonaro quebrou o gelo ante um Ministro atônito, acuado, constrangido e visivelmente desconcertado diante da autoridade natural do PR.

Chamou-me a atenção a diferença nos olhares. Sempre dei muita importância aos olhos e ao olhar das pessoas. Aquelas que não nos fitam, desconfiem! Bolsonaro olhou dentro dos olhos do seu maior “inimigo”, convicto de quem ele é e contra quem está lutando. “Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas”. (Sun Tzu em “A Arte da Guerra”).

Seus olhos tinham brilho e contracenaram com um olhar opaco ofuscado por uma luz própria e transcendental que normalmente habita as pessoas de grande paz interior, força e alma boa. “Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz. Mas se forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas” Mateus, 6:22-23.

Um simples gesto! Grandioso e magnânimo que pode deixar o caminho aberto para a paz, levando aquela Casa Suprema a altear-se à culminância do entendimento tão necessário às nossas premências de liberdade.

Claro que a mídia entendeu tudo isso. Mas preferiu usar Elon Musk como cortina de fumaça e bater no PR sem dó, com manchetes as mais inacreditáveis já vistas. Esse cara pode representar a solução para sérios problemas estruturais no Brasil ao levarmos internet para mais de 19 mil escolas em áreas rurais ou isoladas do país, além do monitoramento da nossa cobiçada Amazônia que tem um forte viés estratégico de segurança nacional. Isso sem falar na instalação da Tesla em Porto Feliz e utilização mais intensa da subutilizada base de Alcântara.

O bom mesmo pra essa imprensa torpe foi noticiar que a Ministra Carmem autorizou investigação de crime racista contra o PR, que o filho do ladrão, após ser assaltado, defende seus assaltantes e culpa o PR, que Musk é acusado de assédio sexual e que o “casamento” foi uma festa simples para familiares.

Para reflexão da esquerda: “A inveja é uma forma de homenagem” (Kosciuszko Leão) ou “A inveja é uma merda” (Antenor Guimarães). Meus dois avôs, ambos poetas.

Fico com o segundo.

Cirurgião Plástico em BH e Cronista do Blog do Leão

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