3 de julho de 2022
Colunistas Ligia Cruz

Progressista ou conservador?

Não há nada mais pobre e entediante nos dias atuais do que esta bipolaridade ideológica em que o sujeito tem que escolher um lado.

Hoje, se você não é progressista vive o drama do não pertencimento de uma ordem global máxima, que exclui os divergentes e questionadores.

Numa escala e exagerada aquele que não se encaixa tornar-se um pária de oportunidades e até de direitos civis. É mais ou menos assim que está se tornando o mundo.

Um amontoado de gente que pensa igual, não admite contraditas e tem preconceito de quem defende valores mais conservadores do que os seus. Isso porque, em certa medida, todo mundo é conservador nos dogmas em que acredita e defende. Confuso não?

Enquanto o povão surfa nas marés ditadas por líderes mundiais e grandes grupos econômicos, não se dá conta de que há toda uma manipulação forjada com o intuito de confundir e encaixotar a mente das pessoas, para torná-las afáveis ao sistema.

Muitos dos ideais progressistas hoje, mais lembram tendências da moda e perfumaria. Quanto mais tatuagens, piercings e vestimentas desconectadas, mais se vende a imagem de alguém com personalidade vibrante, sem amarras e libertária. Melhor ainda se estiver alinhado com tendência de esquerda. Gente acima dos padrões, melhor em gênero, número e grau do que os outros.

Já os conservadores são aqueles chatos, que defendem conceitos ultrapassados, conduta disciplinada, se vestem com mais sobriedade ou simplicidade e não aceitam certos modernismos. São direitistas, apreciam os coturnos, odeiam grafismos na pele e acham que, biologicamente, homem é homem e mulher é mulher.

Entre esses dois polos há os que não se identificam destacadamente com nenhum dos lados e vivem se equilibrando na corda bamba da ditadura social. Que não é só social, é principalmente questão econômica. Haja pau para tanto lombo.

E quando o jogo de amarelinha fica sem a pedrinha? Muda o jogo. Uns vão reclamar que a tradição foi modificada, outros dirão que é bom abandonar as regras e simplesmente pular com uma ou duas pernas, porque é uma atividade aeróbica, coisa e tal. É mais ou menos assim que o mundo está.

Trazendo para a vida real, quando o verdadeiro conceito de liberdade é maculado pelas imposições, principalmente as institucionais, todos perdem.

Até recentemente, os Estados Unidos representavam o capitalismo liberal com inclinação à direita. O tio Sam, odiado pelo Fidel. Hoje, a política bipolar também tomou conta do país. O governo está mais progressista nos valores sociais, mas sem ser estatizante e dar saúde e casa para todos – premissa comunista.

A esquerda raiz, representadas pela Rússia e China, vive tempos de liberalismo econômico, mas sem as amplas liberdades democráticas. Aquela história de que comunista não acumula bens e trabalha feito mula para um governo autocrático, acabou. O sonho ideal da esquerda foi corrompido na cartilha. Ninguém vota de verdade por lá, mas é feliz. Será?

Aí vem o prenúncio da “terceira guerra mundial”, com a Rússia e a Ucrânia em combate. O comunista atacando um pré-capitalista, que é defendido pelo recente capitalismo-progressista americano, junto das monarquias e democracias europeias de sempre. E a esquerda mundial fica magoada com Putin, o comunista raiz da KGB. Que nó!

Os americanos entram de sola no russo, com dezenas de embargos, esquecendo que Moscou é o segundo maior produtor de petróleo e abastece a Europa com gás.
Então o fleumático dono do mundo, Biden, corre para os árabes pedindo para aumentar a produção de petróleo e volta com um não. Vai para a Venezuela, que titubeia entre a pátria e stalinista e o dólar.

No afogadilho, pede ao Brasil para aumentar a produção agrícola e recebe como resposta que “o país não condiciona o fato à diplomacia, mas ao mercado”. Os Brics se isolam. E a história segue o curso. Entre tapas e beijos, falta cara, sobra agressão e um mundo de gente manipulada.

Mas de que lado você está mesmo? É progressista ou conservador? Comunista-capitalista ou capitalista-progressista? Hein?

Jornalista, editora e assessora de imprensa. Especializada em transporte, logística e administração de crises na comunicação.

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