23 de maio de 2022
Sergio Vaz

Enquanto houver Dilma, a economia só piora

Novo-ministro-580x389.jpg.pagespeed.ce.KG6Y3rZ9ETJá estava péssimo, ficou ainda pior: Dilma Rousseff, a economista mais incompetente da História, assumiu de vez a presidência do Banco Central.
Postei esta frase no Facebook meia hora depois de o Copom, o Conselho de Política Monetária do BC, ter anunciado, ao final de sua reunião de dois dias, na quarta, dia 20, que decidira por 6 votos a 2 manter inalterada a taxa básica de juros, a Selic.
Sandro Vaia escreveu, também no Facebook: “A presidente do Banco Central, Dilma Rousseff, manteve a taxa de juros em 14,25%. Tombini disse amém.”
A questão principal nem é a decisão em si de manter a taxa inalterada. Há bons economistas que defendiam a manutenção da taxa, por causa da recessão, do baixíssimo nível de atividade econômica, apesar da inflação altíssima e sem indicações de que vai ceder no futuro até onde a vista alcança.
Nem  é a decisão em si, mas o que ela indica, sinaliza, mostra: a decisão indica, sinaliza, mostra, que Alexandre Tombini entregou de vez o cargo de presidente da autoridade monetária para Dilma Rousseff, a economista mais incompetente da História, a mulher que enfiou o Brasil neste buraco profundo em que ele está.
“Eu achava que os juros deveriam subir, mas Affonso Celso Pastore, por exemplo, achava que não deveria”, disse o economista Márcio Garcia a Miriam Leitão, de O Globo. “Não é a decisão em si o problema. O BC se amarrou ao dar tantos sinais de que elevaria fortemente os juros e, depois, durante a reunião indicou o contrário. A política de metas precisa desses sinais e quanto mais eles são entendidos, e o BC vai acertando, mais consegue agregar credibilidade. E quanto mais ele perde credibilidade maior terá que ser a dose do remédio amargo que é o juro alto.”
O economista disse que o quadro atual não deverá ser revertido enquanto Dilma Rousseff for presidente: “Como ninguém sofre impeachment por patente incompetência, o meu cenário é que a presidente Dilma ficará até o fim do mandato. A política econômica será mais do mesmo. Vai oferecer crédito, mas não vai adiantar; vai tentar gastar mais, mas não terá como. Ninguém muda. A presidente é a mesma e vai continuar fazendo aquilo no qual ela acredita.”
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Esse é o cerne do problema: a presidente é a mesma que enfiou o país no buraco, e ela não mudou, e não vai mudar: vai continuar fazendo aquilo em que acredita. E Dilma Rousseff acredita que

  1. Dilma Rousseff é a maior economista que já houve em todos os tempos; não é tão modesta quanto seu criador, que diz ser a alma viva mais honesta que existe, deixando entrever que no passado pode ter havido alguém mais honesto que ele. Não, Dilma não é modesta. Ela se acha a maior economista de todos os tempos;
  2. Dilma Rousseff pode mandar na economia. Ela é a treinadora, a economia é seu cãozinho. Ela manda o cãozinho sentar, ele se senta. Da mesma forma, ela manda baixar os juros porque tem certeza de que assim a economia vai reagir de acordo com a vontade dela. Ela mandando na economia, teremos pleno emprego, grandes empresas campeãs nacionais com dinheiro farto do BNDES exportando para o mundo, uma maravilha absoluta para tudo e todos, leite e mel jorrando, sem falar do petróleo do pré-sal;
  3. o almoço é de graça. Aliás, Dilma está para aderir à aliança MPL-black blocks-PSTU, PCO-CUT-UNE-Ubes, em defesa da tarifa zero (só nos Estados governados pelo PSDB), e, aproveitando a sugestão do prefeito Haddad, entrada grátis na Disneyworld para todos os beneficiários do Minha Casa Minha Vida e do Bolsa Família.

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Na sua coluna desta sexta, dia 22, em O Globo, Miriam Leitão transcreveu mais estas afirmações do economista Márcio Garcia:
“O problema fiscal é sempre o pano de fundo da crise brasileira e piorou muito no governo Dilma, que gastou demais e gastou por fora do Orçamento. Quando pagou aos bancos com recursos da Conta Única do Tesouro Nacional, é como se ele tivesse sacado dos recursos que poupou no passado para fazer superávit primário. Ou seja, é como se estivesse descumprindo as metas anteriores. E isso gera mais incerteza.”
E o economista José Márcio Camargo, das PUC-Rio, também ouvido pela jornalista, afasta assim a idéia de que poderá haver melhora da economia no atual governo:
“É impossível. Ela (Dilma) perdeu qualquer capacidade de recuperar a credibilidade por tudo o que fez, pelos erros que cometeu no passado. E não é apenas a presidente. É uma forma de pensar que está levando o país ao desastre. O Brasil fez uma revolução pacífica entre 1994 e 2005. Espetacular. Fez várias reformas, reduziu a pobreza, privatizou. De 2005 para cá, fizemos uma contra-revolução.”
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“O pouco que ainda restava de credibilidade do BC foi embora, ficou bem abalada”, resumiu Rogério Freitas, sócio na Teórica Investimentos, segundo reportagem de Rennan Setti e Daine Costa em O Globo desta sexta, 22.
E ele prossegue:
“O  BC não teve capacidade de coordenar as expectativas sobre suas decisões. Ele vinha conduzindo as expectativas para um novo ciclo de aperto dos juros, ainda que pequeno, com base na deterioração da inflação. Só que, no curtíssimo prazo, o BC deu um verdadeiro cavalo de pau. Ele fugiu do ritual tradicional do BC. O problema é que se ele não usa o remédio agora, depois vai ter que usar em uma dosagem muito mais forte contra a inflação. Por isso, ocorre agora uma desancoragem das expectativas de inflação futura, ao longo de 2016 até 2018. O pessoal está esperando mais inflação. O BC se mostrou mais preocupado com o crescimento do que com as expetativas de inflação.”
Ouvido na mesma reportagem, Renato Nobile, diretor-executivo do Bullmark Financial Group, disse:
“O grande problema dessa decisão do Copom é que ela foi completamente inesperada. O governo não está ajudando com contenção de gastos nem com investimento, então os juros eram o único caminho para controlar a inflação. Mas o BC tomou uma decisão política desastrada, que gera muito incerteza no mercado financeiro. A troca de Joaquim Levy por Nelson Barbosa já havia sinalizado uma maior centralização da política econômica nas mãos de Dilma. Assim, a única instituição que tinha um pouquinho de credibilidade era o BC, mas ela se foi, não existe mais. Ficou claro que o BC responde diretamente ao Planalto.”
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A reação do mercado à decisão do Copom foi imediata. Na quinta, 21, o dólar comercial fechou na maior cotação registrada desde a criação do Plano Real, em 1994.
A moeda americana avançou 1,51% contra o real, a R$ 4,166 para venda, um recorde parta valores de fechamento. O recorde anterior era dos R$ 4,145 registrados em 23 de setembro, informa a reportagem de Rennan Setti e Daiane Costa. Na máxima da sessão desta quinta, o dólar atingiu R$ 4,174, maior cotação atingida durante uma sessão desde 24 de setembro, quando havia batido R$ 4,249 (embora tenha fechado abaixo dos R$ 4 naquela data).
As péssimas notícias não param. Ainda na quinta, 21, foi anunciado que o Brasil fechou 1,5 milhão de postos de trabalho com carteira assinada, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do próprio Ministério do Trabalho e da Previdência.
A recessão afetou com força o pagamento de impostos, e o total arrecadado pela Receita Federal em 2015 foi de R$ 1,22 trilhão, ou 5,62% a menos do que em 2014. Foi o pior resultado da arrecadação federal em cinco anos. A informação também foi divulgada na quinta, 21.
Nesta sexta, 22, anunciou-se que a prévia da inflação oficial no país, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) abriu o ano em 0,92% em janeiro, resultado mais alto para o mês desde 2003, quando ficou em 1,98%.
Já estava péssimo, vai ficando cada vez pior.
Enquanto Dilma Rousseff, a economista mais incompetente da História, for presidente da República, ministra da Fazenda e presidente do BC, vai ficar cada vez pior.
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Abaixo vão as íntegras dos editoriais desta sexta-feira de O Globo e do Estadão sobre a desmoralização do BC.
A desmoralização do BC
Editorial do Estadão de 22/1/2016
Ao manter em 14,25% a taxa básica de juros, o Banco Central (BC) comprometeu sua credibilidade, o ativo mais importante da autoridade monetária. O presidente da instituição, Alexandre Tombini, terá muita dificuldade para contestar a humilhante versão corrente no mercado. Segundo todas as aparências, a decisão sobre os juros foi determinada pela presidente Dilma Rousseff, interessada em afrouxar a política econômica para reconquistar popularidade. Numa versão ainda mais desmoralizante, o episódio teria marcado uma vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da cúpula do PT. Até agora inúteis contra a Operação Lava Jato, as pressões do partido seriam muito eficazes quando aplicadas sobre o BC.
Tombini chocou o mercado ao indicar, na véspera da decisão, uma reviravolta na estratégia de combate à alta de preços. Durante um mês e meio dirigentes do BC haviam deixado clara a intenção de elevar os juros na reunião de janeiro do Comitê de Política Monetária (Copom).
O compromisso com uma política severa foi reafirmado na carta enviada ao ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, com a explicação sobre o enorme desvio da inflação, em 2015, em relação à meta de 4,5%. Tombini reiterou, no texto, a disposição dos membros do Copom de tomar as medidas necessárias para conter a alta de preços, independentemente das demais políticas da área econômica. A carta ressaltou o efeito inflacionário do desajuste das contas do governo.
Durante semanas predominou no mercado a expectativa de uma alta de juros de meio ponto porcentual, justificada tanto pela persistência de uma inflação elevada como pela insegurança sobre a evolução das contas públicas neste ano. Como levar a sério um orçamento aprovado e sancionado com a previsão de receita de um tributo inexistente, o imposto sobre o cheque? Como acreditar nas promessas de ajuste de um governo gastador, populista e com um currículo de enormes desmandos na área fiscal?
Com a imagem de seriedade restaurada, gradualmente, a partir de 2013, quando foi retomada com algum empenho a política de combate à inflação, o BC permaneceu, até há poucos dias, como um raro fator de segurança num ambiente governamental de incompetência e de irresponsabilidade. Também isso acabou.
A reviravolta foi anunciada de forma escandalosa na véspera da decisão sobre os juros. Uma breve nota divulgada pelo BC resumiu um comentário de Tombini sobre a atualização das projeções globais do Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo o comentário, as mudanças na avaliação do cenário brasileiro, com estimativa de contração econômica de 3,5% neste ano e de crescimento nulo no próximo, haviam sido significativas.
A piora das expectativas em relação ao Brasil foi considerável, mas nada surpreendente, quando se considera a deterioração das condições políticas e econômicas desde o fim do ano. Surpreendente, mesmo, foi a divulgação do comentário do presidente do BC, como se a sua reação imediata fosse indispensável e normal. Não era, especialmente na véspera de uma deliberação do Copom, quando deve prevalecer a regra do silêncio.
Só havia uma explicação plausível: Tombini tentava justificar uma decisão contrária àquela indicada anteriormente. O recurso ao FMI para fundamentar a mudança foi especialmente estranho. O Fundo estaria mais informado a respeito do Brasil do que o BC? Poderia haver argumentos técnicos a favor da decisão, mas foram inutilizados com esse lance.
O comentário de Tombini concentrou-se nas previsões para o Brasil, mas a ênfase mudou no comunicado distribuído depois da reunião do Copom. Para justificar a manutenção da taxa de 14,25%, os autores do texto mencionaram a “elevação das incertezas domésticas e, principalmente, externas”. A ênfase se deslocou para as incertezas externas, nem sequer mencionadas na declaração de Tombini. Insegurança internacional certamente existe, como indicam os tombos das bolsas de valores, mas, apesar disso, o FMI projeta para a economia global crescimento continuado em 2016 e 2017, com desempenho imensamente melhor que o do Brasil. Terá o BC aderido ao costume da presidente Dilma Rousseff de atribuir os males brasileiros às perversidades de um mundo cruel? Seria a cereja no bolo da desmoralização.
BC se descredencia ao sinalizar submissão
Editorial de O Globo de 22/1/2016
O desastre para a imagem do Banco Central de Alexandre Tombini, e, por tabela, do governo Dilma Rousseff, não se deve apenas a uma inusitada nota divulgada pelo presidente da instituição, na terça, no início da reunião de dois dias do Conselho de Política Monetária. A gravidade do fato está no conjunto da obra. Isso, não bastasse a liturgia do cargo limitar declarações sobre o Copom. Mais exótico ainda foi soltar a nota na abertura da reunião do conselho, periodicamente realizada para avaliar a taxa básica de juros da economia, a Selic, se ela deve ser recalibrada ou não.
Curto, o comunicado de Tombini considerava “significativas” as revisões das estimativas do FMI para a evolução da economia brasileira este ano e em 2017, publicadas naquele dia: de uma recessão de 1% para 3%, e de um crescimento de 2,3% para estagnação.
Nenhuma novidade. O presidente do BC, com acesso fácil a toda sorte de indicadores, não deveria ficar surpreso. O relatório Focus, elaborado semanalmente pelo próprio Banco Central com estimativas dos maiores departamentos de análise do mercado, já apontava na mesma direção.
Por que alardear o já sabido? A interpretação corrente foi que Tombini se sentiu obrigado a justificar formalmente a decisão de propor no Copom manter os juros em 14,15%, depois de ter indicado que o BC apertaria a política monetária, apesar da recessão. Uma das indicações estava na carta aberta ao ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, exigência legal quando o BC não evita que a inflação estoure o teto da meta.
A atitude patética funcionou como um bumerangue e atingiu o próprio Tombini e o BC, por reforçar a ideia de que o Banco Central jamais teve autonomia desde que Dilma assumiu a Presidência. E nunca terá. Causa avarias também no governo, ao realçar sua faceta intervencionista.
Foi lembrado que o BC de Tombini começou a cortar juros em 2011, em Dilma 1, quando a inflação não estava dominada. A Selic chegou a 7,12%, sob aplausos do PT e entre sorrisos no Planalto, mas as taxas tiveram de voltar a subir em 2013. A inflação jamais voltou à meta de 4,5%, nem a economia chegou a um crescimento sustentado, justificativa “desenvolvimentista” para menos juros.
A imagem de um BC submisso é reforçada pela pressão explícita do PT contra a política monetária, alvo também do ex-presidente Lula. E Tombini poderia ter feito tudo dentro do rito normal, pois até mesmo economistas ortodoxos defendiam a manutenção da Selic, temerosos da “dominância fiscal”, situação em que os juros altos, por aumentarem muito os gastos públicos, perdem eficácia como terapia anti-inflacionária.
Reforça-se, cada vez mais, a imperiosidade de um programa sério de corte de despesas públicas, para tirar o país deste beco sem saída. A situação se agrava porque, não bastasse o governo não ter compromisso confiável com um efetivo ajuste fiscal, o BC parece ter perdido de vez as condições de ancorar os preços.

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