9 de agosto de 2022
Ricardo Noblat

Governo admite tirar seu apoio ao projeto que desobriga a Petrobras de explorar o pré-sal

incertezas_4Foto: Arquivo Google

De início, a presidente Dilma Rousseff não viu com bons olhos o projeto apresentado pelo senador José Serra (PSDB-SP) que desobriga a Petrobras de explorar, no mínimo, 30% da área do pré-sal. O PT subiria pelas paredes se o projeto fosse aprovado. Não chegara ainda a hora de brigar com o partido – se é que um dia, de fato, brigaria.
Anteontem, ao se convencer de que o PMDB se juntara aos partidos da oposição para aprovar o projeto abençoado por Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, Dilma decidiu apoiá-lo. Negociou uma emenda ao projeto que não o desfigurou em quase nada. E deixou o PT enfurecido reclamar sozinho. O projeto foi aprovado com folga de votos.
Diante da reação do PT e dos demais partidos de esquerda, agora Dilma já admite retirar o apoio ao projeto quando ele for votado na Câmara dos Deputados. Ou admite desfigurá-lo na Câmara mediante a apresentação de novas emendas. Ou admite simplesmente vetá-lo no todo ou em parte se a Câmara o aprovar. Há outra hipótese: não deixá-lo ser votado ali.
O comportamento vacilante da presidente e dos que a assessoram mais de perto não surpreende ninguém. Este é um governo de férreas convicções que se desmancham no ar ao primeiro vento forte.  As convicções que sobreviveram às ventanias, quase todas, empurraram o país na direção da pior crise econômica de sua história.
A convicção de Dilma de que fizera o melhor para a Petrobras, uma empresa arrebentada pela corrupção e pelas políticas erradas bancadas pelo governo, foi abalada em menos de 24 horas pela ala do PT comandada por Lula. O PT bateu forte em Dilma. E tão forte que ela hesita em comparecer à festa de aniversário do partido, amanhã, no Rio.
Houve nota oficial com ácidas críticas ao projeto considerado “entreguista”. O presidente do PT carioca, um tal de Quaquá, avisou que Dilma não seria bem-vinda à festa que deverá contar com Lula como sua principal estrela. Ministros de Estado não temeram dizer a Dilma que o governo cometeu o grave erro de avalizar o projeto de Serra.
O novo líder do governo no Senado, Humberto Costa (PT-PE), que a merecer o título estaria obrigado a apoiar qualquer decisão da presidente, confessou que não votara a favor do projeto. Preferiu abster-se a colidir com o seu partido. Fossem outros os tempos e os homens, e em seguida ele teria renunciado à função. Nem renunciou nem foi privado dela.
Mas são tempos de Dilma, de Lula e do PT. E, por serem, tudo é permitido. Tudo é possível. É possível, por exemplo, o presidente desconhecer a montagem de uma sofisticada organização criminosa a partir de gabinetes próximos ao dele (alô, alô, mensalão). É possível a presidente ignorar a roubalheira na empresa que ela chamava de sua (alô, alô, petrolão).
Bestificado, em crise e conduzido por um governo capaz de mudar de direção como biruta de aeroporto, o país se arrasta à espera do fim do mandato de Dilma – seja na data marcada pela Constituição, seja antes se o Congresso assim quiser e o Supremo Tribunal Federal permitir. Por ora, não há luz no fim do túnel, somente incertezas.
Tempo ruim (Foto: Arquivo Google)

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